Os maiores erros do namoro cristão.

como deve ser o namoro evangélico

Introdução

A maioria das palestras sobre namoro cristão se resume em falar de "santidade", que o casal de jovens não pode isso, não pode aquilo, e que devem fugir do pecado sexual, ou seja, cair em fornicação. Os conselhos são os mesmos de qualquer irmão ou obreiro da igreja, porém, por serem explanados no microfone, parecem sair mais da boca de Deus do que do homem. Estes conselhos são o óbvio de um namoro cristão: não pecar. (Por acaso o cristão pode pecar em outras situações da vida, que não seja durante o namoro?) São congressos de jovens, reuniões, encontros, que "chovem no molhado" no fator conteúdo. 

namoro é da vontade de deus
No fim do evento, pergunte a cada um dos jovens o que eles aprenderam da bíblia, do significado de santificação, de como por em prática o que ali foi pregado, e se espante com o incrível silêncio. Não aprenderam absolutamente nada! Só ouviram líderes e preletores advertirem para os jovens não pecarem. E todos da igreja saem repetindo comentários que o tal congresso "foi uma bênção" por uma determinação retórica da liderança. 

O pastor e os obreiros afirmam sem cessar: "Que bênção foi aquele congresso!!!" Quem irá discordar? Para o membro da igreja evitar discussões ou olhares recriminadores, será mais conveniente repetir: "Sim, foi uma bênção!" Afinal, o que foi uma "bênção" no tal evento? A quantidade assustadora de pessoas?? O barulho de uma multidão inquieta, andando pra lá e pra cá, falando, conversando, indo a cantina... Parece que as definições sobre um evento ser "abençoado" ou não está mais na quantidade de pessoas do que na qualidade. 

O conteúdo de algumas pregações em muitos destes congressos para jovens chega ser engraçado pela maneira ingênua, (ou mais cômoda), de alguns preletores desejarem alertar os jovens contra o pecado. "Jovem, não peque". "Jovem, você não pode pecar". "Juventude, não caia no pecado". Para os pais estes são conselhos maravilhosos, e eles glorificam a Deus, imaginando que seus filhos estão ouvindo estas mensagens, e concluindo: "Poxa vida, não vou pecar!"  Que bênção se fosse assim. 

casal de namorados cristãos

Na verdade para 90% daquela turminha que está ali sentada estas pregações "entram por um ouvido e saem pelo outro". Após todo aquele dispendioso evento, convite aos jovens, cantores, divulgação, conselhos "santos", passado alguns meses descobre-se moças do grupo jovem grávidas do namorado, rapazes que foram à uma festa e beberam, se prostituíram, afastaram-se da igreja, etc. Parece que toda aquela gritaria com os jovens não passou de uma tremenda festa barulhenta!

Com mensagens recriminando as opções de lazer, que não sejam as programações evangélicas, muitas igrejas sempre tentaram criar um certo desencantamento pelo "mundo", numa tentativa de afastar os jovens de uma possível apostasia da fé. Há denominações que o tempo todo pregam contra o lazer, o passeio, a diversão, etc. Um grave erro, que cria mais repúdio a ideia de ser crente do que incentivo a santidade. Quem se converteu teve uma transformação de vida tão grande, tão maravilhosa, que não quer mais ir para "o mundo", por opção própria, e não porque alguém proibiu.

namoro entre evangélicos

Casar logo? Porque?

O namoro deve ter propósito de casamento, e não pressa de casamento. No namoro cristão deve-se haver responsabilidade e santidade, e não costumes e formalidades. Santificação significa separação [do pecado], e não falta de diálogo, de abordar assuntos relevantes, enfim, o casal deve estar preocupado com o futuro, e ao mesmo tempo entregando as suas ansiedades nas mãos do Senhor. Para muitos isso é uma missão difícil, mas quem ama espera, e aguarda em Deus o momento certo. 

Há líderes, obreiros, que ensinam que o jovem deve "casar logo" por causa da "carne". Ninguém deve se casar apressadamente em virtude dos desejos sexuais. Casamento é algo muito sério para se pensar apenas em sexo. Na vida de casado, os cônjuges não vivem somente em prol da vida sexual todo o tempo. São inúmeras as preocupações, como administração financeira, filhos, reforma na casa, roupa, saúde, etc. Durante o namoro você deve pensar no casamento sim, mas casar por amor.

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Pseudo-conselheiros

Casal de namorados em quase todo o tempo é vigiado, advertido, aconselhado, e um monte de gente se mete para falar um monte de coisas da boca pra fora para parecer que são "santos". Concordo que aconselhar os jovens, em situações apropriadas, é importante. Mas se um casal demonstrar muita receptividade a pessoas intrometidas, inúmeros pseudo-conselheiros surgirão para falar o que nem eles viveram, e jamais viveriam, mesmo sendo cristãos. Começam a ilustrar suas advertências com 'casos' e 'contos' de jovens que beijavam muito e Deus "pesou a mão", e eles morreram doentes. Que um casal de namorados namoravam muito, e sofreram um acidente e morreram. Mentiras criadas na melhor das intenções de manter os jovens em santidade. Se isso funcionasse, não veríamos uma grande parcela de nossa juventude caída e afastada da igreja.

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O que estes conselheiros talvez não saibam, é que não é somente casal de namorados que necessitam de conselhos. Todos os dias centenas de casais se separam, depois de anos juntos em um matrimônio que parecia inabalável. Enquanto os super-conselheiros estão preocupados em advertir jovens em coisas que eles já sabem, estão perdendo os casais casados que vivem em constante crise, e eles não sabem o que fazer. Ora, não são conselheiros?! Ajudem os casados! Não deixem eles se separarem. Tão fácil intimidar casais de namorados, e os casados da igreja escorrendo pelo ralo do adultério, brigas, agressões no lar, por falta de ministros para ajudar na reconciliação.

Quer um bom conselho? Não deixe pessoas demais se meterem em seu namoro. Você tem o pastor da sua igreja, os seus pais, os pais da outra pessoa, e um ou outro raríssimo amigo que você pode confiar. Não transforme sua vida, muito menos seu relacionamento, em um livro aberto para pessoas que em nada irão acrescentar. Apenas querem fuxicar a sua vida e comentar com outros, com palavras de condenação, e se sentirem os "procurados" para conselhos. Na verdade estas pessoas é que fazem as inúmeras perguntas. A maioria só sabe falar de "vigilância" porque sabem da ansiedade da juventude pelo sexo. Um falso moralismo que é mais para uma glória pessoal do que uma real preocupação com o casal.


Ex-namorado(a)

Evite falar de "ex". Principalmente falar mal. Primeiro que a bíblia condena falar mal do próximo. ("Irmãos não faleis mal uns dos outros". Tiago 4:11) Segundo que se a pessoa fala mal de "ex", você já não pode confiar muito, pois nenhum namoro é certeza de casamento, e provavelmente, com o fim do relacionamento, também vai falar de você. E por mais que o que a pessoa fale seja verdade, os nossos lábios devem abençoar o nosso próximo, desejar que a outra pessoa mude, melhore, se corrija. 

O dever do cristão para com o(a) ex-namorado(a) é orar para que o(a) "ex" encontre alguém que seja feliz com ele(a). A maioria dos que esculacham alguém que já namorou o faz com ódio, com desejo de vingança, sentimento de perda, mágoas, etc. É incrível como as pessoas falam tanto de "santidade no namoro" e não veem este tipo de pecado. Amaldiçoar os irmãos não é encarado por muitos como um grave pecado no namoro.

Perguntas

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Não faça perguntas inúteis no começo do namoro, que só irão trazer constrangimentos desnecessários. O rapaz que pergunta: "-Você é virgem?" no início do namoro é um equivocado com relação a convivência. Não resolve nada este tipo de questão. A maioria das jovens da igreja irão responder que "sim", são virgens, "diante de Deus", mesmo que já tenham fornicado inúmeras vezes. Procure, antes disso, saber o caráter da pessoa, se ela tem afinidades com você, se não é mentirosa, fofoqueira, vingativa, religiosa ao extremo (o que para Deus não diz nada) e analisar se a pessoa serve para viver com você o resto de sua vida. 

A maior frustração de muitos maridos é se casarem e terem pensado que a virgindade da moça seria o segredo para uma vida feliz, sem brigas, e seriam uma bênção "até que a morte os separe". Quando o jovem amadurece o sentimento, casa-se até com uma pessoa que já tem filho. 

Toda aquela interpretação que ele tinha da vida muda, "cai a ficha", e ele começa a ver a vida como realmente ela é. Outra pergunta feita inutilmente é se a pessoa ora, lê a bíblia, se preocupa com a obra de Deus. Estas coisas se vê na pessoa. Ninguém irá responder: "-Não me preocupo com nada da igreja....estou ali enganando todo mundo". Apenas observe se a pessoa realmente é cristã.

Diálogo

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Para saber se o seu futuro será bom com esta pessoa, converse, converse e converse. Observe o comportamento, como a pessoa se porta nos lugares, como cumprimenta e é cumprimentada. Lembre-se: esta será a pessoa que você vai conviver para o resto de sua vida. Mas não enlouqueça preocupado(a) com isso. Há atitudes da pessoa que podem te assustar, mas que você pode dialogar com ela, e se realmente a pessoa gosta de você, se quer construir o amor no relacionamento, irá melhorar para não te ver magoado. 

Relacionamento a dois é eternamente um abrir mão de coisas em favor da outra pessoa. E se há amor, isso não será encarado como sacrifício, mas como um prazer em ver a outra pessoa feliz. Muitas vezes a pessoa não é uma "leviana", mas é acostumada a viver sem compromisso de namoro, estava sozinha durante um tempo, e acostumou a conversar com muitos amigos(as), e geralmente isso gera não somente ciúmes, (o que pode até ser discutido, resolvido), mas o pior: ruins suspeitas, o que rapidamente leva ao fim do namoro. Muitas vezes, o que poderia ser um lindo relacionamento, abençoado, é rompido por uma interpretação precipitada sobre o comportamento da outra pessoa.

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Exposição

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Não se exponha demais no começo. Mesmo em um namoro assumido, com aprovação dos pais. Ficar constantemente em praça pública, frequentar eventos lotados, não irá "selar" um futuro matrimônio. Há pessoas que querem forçar uma situação quando nem conhecem direito a outra pessoa. Durante boa parte do namoro, em especial o início, mesmo que sem querer, as pessoas usam uma espécie de "máscara". Isso também não pode ser encarado rigorosamente como uma "falsidade", mas um instinto natural em querer agradar ao parceiro. É o medo de não se passar por "pessoa chata" logo de início. Em todas as opções, gostos, impera a conhecida frase: "tudo bem", até que, com o tempo, se manifestam as verdadeiras opiniões.

O excesso de exibição pública logo no início traz um risco: se o namoro terminar, o casal fica "marcado", como se um fosse 'do outro'. A super exposição cria uma corrente que aprisiona o casal, no receio de ficarem mal falados na família e/ou igreja. Na mente dos dois há vários planos de como terminar um namoro que não está dando certo, mas acabar algo que já envolveu muita gente, elogiando e se oferecendo para apadrinhar o futuro enlace matrimonial, que encerrar tudo seria uma vergonha. Passam agora a viver um dilema, se terminam ou não o namoro! A cada pessoa que encontram na rua, que elogia o casal, o constrangimento em acabar fica maior. "Vai que é de Deus?!" Fica a dúvida atormentando.  

"Ficar" é pecado??

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Protagonistas em cultos de jovens enaltecem a importância da santidade no namoro condenando asperamente os jovens que apenas "ficam" com alguém, ao invés de iniciarem logo o namoro assumido publicamente. Afirmam, com absoluta certeza que, se você beijar alguém na boca, e no outro dia isso não se transformar em um namoro oficial, você cometeu um grave pecado, pois "ficou" com alguém. Difícil é entender como a pessoa vai conhecer alguém melhor, ao menos nos primeiros dias (pois "conhecer" é um processo mais demorado), se não demonstrar que tem interesse em namorar, se nem ao menos der um beijo na outra pessoa?! 

Todo mundo "fica" antes de oficializar um namoro! Santidade não pode ser confundido com formalidade. Se o seu objetivo é o de casar, e não apenas viver beijando pessoas a esmo, sem propósitos, você não está pecando. Se você ocasionalmente vier a beijar alguém, e perceber que aquela pessoa nada tem a ver com você, isso é um "ficar". Nunca foi, não é, e nunca será pecado. Ficar com uma pessoa para se vingar de outra, "matar" a solidão, passar o tempo, tentar esquecer outra, aí sim se torna um pecado. Você está usando, brincando com o sentimento alheio.

Um preparado para o outro. Revelações.

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Estas histórias de "fulano é a pessoa escolhida por Deus para ciclano", é uma ilusão. Quem escolhe ou decide se casar é o casal, e não Deus. O Senhor pode abençoar a união, mas nunca fazer a escolha. Senão, onde fica o livre-arbítrio que Deus deu as suas criaturas?! "Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne". (Gênesis 2:24) Igualmente as pessoas que casam por "revelação". A mais sólida revelação se um namoro é da vontade de Deus é se os dois querem, e se há amor. 

O namoro para o jovem cristão é um celeiro de dúvidas, pois está sempre querendo saber, mesmo com tudo dando certo, se é da "vontade de Deus". Oram, jejuam, mas diante da primeira briga, pensam: "Será mesmo de Deus?" Isso acontece todos os dias, em todos os lugares, em todas as igrejas. E é difícil para o jovem discernir a vontade divina quando a emoção fala mais alto. Daí, como última solução, as "irmãs de oração" são procuradas por centenas de casais de jovens para orar e ver "se Deus fala alguma coisa". Os equívocos logo surgem quando algum profeta fala mais do que devia, e afirma, sem ter visto nada, que "Deus está preparando o casamento"

Não pode existir uma situação em que você gosta de uma pessoa, e mesmo que ela seja uma bênção, séria, honesta, fiel na vida cristã, Deus lhe dizer: "Não é da minha vontade!" Se ambos estão se gostando, isso não existe!!! Isso é "profetada" de quem está com inveja. Afirmar: "Eis que a tua escolhida ainda está sendo preparada, é outra" não tem respaldo bíblico. Muitas vezes um jovem está gostando de alguém, e fica baseando a sua esperança em revelações e visões. Acredito nos dons, e creio que Deus possa mesmo revelar e falar com seus servos, mas Deus nunca nos deixará confusos, pois "Deus não é Deus de confusão". (1º Coríntios 14:33)

Palavras proféticas. "Fulano é meu".

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Há muitos irmãos que fazem as chamadas declarações proféticas. "Fulana vai ser minha". "Beltrano já é meu". Isso não é pedir direção à Deus, e sim querer ver acontecer a sua própria vontade. Já imaginou se uma pessoa, que você não se agrada nem um pouco, começar a orar e pedir VOCÊ a Deus?! A oração desta pessoa deve ser atendida?? Claro que não! O que as pessoas devem é confiar em Deus, e não em seus próprios julgamentos. Você, jovem cristão, deve ter, muito antes do que fé que fulano será seu ou sua, respeito mútuo, amor, sinceridade, companheirismo, e tudo o que edifica para um futuro casamento com bases sólidas. Fazer estas declarações jamais irá modificar o livre-arbítrio de cada ser humano. Entregue nas mãos do Senhor, pois, com toda certeza, se esta pessoa não ser sua futura esposa ou esposo, Deus irá lhe orientar para você conhecer alguém melhor.

Atração física

Quem criou o desejo por sexo no homem e na mulher foi Deus, e não o diabo. Em São Paulo conheci um casal de namorados de uma igreja que a cada 5 minutos, repetiam: "O sangue de Jesus tem poder!" Disseram que a todo instante recebiam "setas" do demônio na carne fazendo eles terem desejo por sexo. Se um casal que se gosta, se acham bonitos, me disser com sinceridade que se abraçam, se beijam, e não sentem nada, eu os aconselharia a procurar com urgência um médico. 

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É obvio que, sendo namorados, ainda não casados, devem negar a si mesmo, e esperar o casamento para terem relações. Mas clamar o "sangue de Jesus" e dizer que "o demônio" lança "setas" com desejos sexuais, é de uma ignorância inigualável. Ao conversar com este casal, eles relataram que um profeta assim os orientou, e eles já não suportavam mais ter que viver clamando toda hora o sangue de Jesus, e que nada daquilo estava adiantando, pois continuavam a sentir os mesmos desejos. 

Todos nós temos fantasias, e imaginamos as formas e lugares onde poderíamos estar fazendo sexo com a pessoa amada. Isso é natural do ser humano. Não é coisa do diabo, seta do demônio, etc. Muitos jovens chegam a igreja se culpando, se condenando, por ficarem excitados com o(a) namorado(a). Deus criou os seres humanos com estes desejos. Porém nós oramos e vigiamos até o casamento, pois sabemos da fraqueza da carne. A vigilância dos jovens não deve ser somente no namoro, e sim em todo lugar. Há rapazes que caíram no pecado da fornicação com colegas de trabalho, amigas da faculdade, etc. Ou seja, a vigilância não se resume somente ao namoro, mas em toda convivência entre um homem e uma mulher. Ficar excitado e sentir o desejo por sexo com a pessoa que você namora só revela 3 coisas: 1. Você tem saúde. É uma pessoa saudável. 2. Você se agrada da outra pessoa. 3. Comece a orar para um possível futuro casamento com esta pessoa.

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Brigas - discussões

Mesmo entre um casal que se ama sempre haverão desentendimentos. Ser "da vontade de Deus" não significa que a vida a dois será "um mar de rosas". O fator convivência tem as suas complexidades. Mesmo que o céu se abra, e em uma voz estrondosa, com trovões, Deus afirme para você: "Meu servo, o seu namoro é da Minha vontade", a moça não será a princesa do castelo e o rapaz também não será o príncipe no cavalo branco. No dia-a-dia as lutas e dificuldades serão as mesmas de qualquer casal normal. "A chuva cai sobre justos e injustos". (Mateus 5:45) 

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Em um namoro, com o tempo, as brigas surgirão. Pessoas sinceras tem opinião, personalidade, e discutem. E diante disso, o alerta de algumas pessoas sempre é: "Se está assim agora, imagina depois de casado!" Esse é um julgamento totalmente equivocado. Muita coisa muda quando se casa. Já acompanhei casais de jovens que tinham um comportamento exemplar. Calmos, tranquilos, quase nunca brigavam, e no entanto não conseguiram ficar nem 2 anos casados. Veio a separação. 

Ser calmo é uma personalidade do ser humano, que um não-cristão também pode ter, e isso não significa que a pessoa é "uma bênção". Um psicopata tem traços de comportamento calmo em várias situações de sua vida. Desconfie de pessoas quietas demais, que não se manifestam diante de algo que naturalmente uma pessoa sentiria indignação. Com toda certeza ela está escondendo algo. Ficar indignado não é pecado. Ira, ódio, raiva, é uma coisa. Indignação é outra totalmente diferente. 

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Óbvio que se as brigas forem demais, agressões verbais (principalmente físicas), e não chegarem nunca a um entendimento, o mais correto será terminar o namoro. Geralmente em uma discussão alguém está errado. Não pode existir, em uma discussão lógica, os dois estarem certos, ou os dois estarem errados. 

Os conselheiros de plantão chegam a afirmar, apaziguando o casal, que "os dois estão errados" para não ficarem mal nem com um nem com o outro. Até porque se meter no meio de uma discussão de casal, é como lavar as mãos com álcool perto de uma fogueira. Você acaba sempre se queimando. Nestas discussões alguém errou, e não está sendo humilde o bastante para confessar. É uma questão a ser resolvida entre os dois, e não que isso represente a reprovação de Deus no relacionamento.

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Fazendo "prova" com Deus

Há pessoas que, quando se apaixonam por alguém, beiram quase a loucura. Parece coisa de adolescente, naquela fase ainda "cheirando a fraldas". E uma das coisas que mais atribula nesta fase de "paixonite aguda" é a "loteria" que esta turminha faz na mente, imaginando situações que, segundo eles, são o "sinal" de que "Deus está no negócio"

Na imaginação de algum jovem apaixonado por uma moça do grupo jovem, ele faz uma pequena oração em pensamento, e arrisca: "Se fulana apertar a minha mão no final do culto, é a prova de que ela vai casar comigo". Ou no caso da jovem: "Se fulano for hoje na reunião de oração, é porque Deus aprova....se me telefonar".... É tanta aposta em circunstâncias, que se esquecem do mais importante: o amor. 

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Pode acontecer tudo que a pessoa fizer como "prova", mas se não tiver amor, nada disso terá valor. Este tipo de "teste" não é uma oração. Deus está longe de toda essa maluquice. Isso é emoção, sentimento, desejo, ansiedade, e os jovens ficam confusos porque muitas vezes as coisas que eles "oram" (fazem a provinha) acontecem, e na conclusão, quando pensam que vão começar um namoro abençoado por Deus, tudo dá errado. Deus não trabalha pela metade. 

Conclui-se então que Deus não tem nada a ver com todo este carnaval de emoção. Fatos e situações da vida acontecem por coincidência, e muitas vezes até o inimigo, já sabendo que o jovem está caído de paixão por uma pessoa, cria circunstâncias para confundir o cristão que não entrega as suas ansiedades nas mãos de Deus.

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A mentira

Se há uma coisa que o casal cristão deve repudiar radicalmente no relacionamento é a mentira. O pecado que as pessoas mais se escandalizam é o da área sexual, condenando severamente quem "caiu" em fornicação. Enquanto isso a mentira, a fofoca, o uso de má fé, a desonestidade, a falsidade, reina em lares, e no casal de namorados isso é um veneno que mata a confiança. 

Quando um questiona uma mentira, acaba sendo taxado, por pessoas que não sabem de nada do que acontece entre o casal, de ciumento(a), possessivo(a), etc. No contraste com a atual interpretação sobre "pecado" dos religiosos, Jesus perdoa uma mulher pega no flagrante adultério, impedindo que ela seja apedrejada (João 8). Alertou para ela não pecar mais, claro. Mas quanto aos religiosos do templo, que usavam da mentira, Jesus os condena: "Vós tendes por pai o diabo". (João 8:44)

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Conclusão

Relacionamentos nós construímos, mantemos, não cai do céu. A oração e jejum são importantes? Claro que são! Quem disse que não?! É a base de sua vida. O cristão que não ora está morto espiritualmente. Mas diante dos problemas do dia-a-dia você não vai ficar orando 24h sem parar, ou clamando o "sangue de Jesus", ou repreendendo demônios. 

Devemos ter a mente de Cristo, mas os pés no chão. A igreja, por exemplo, tem o lado espiritual, quando cultuamos, oramos, assim como também há a administração eclesiástica, pelo pastor, obreiros, secretários, zelador, etc. Além do lado espiritual em nossa vida, temos também o lado material, a vida, o corpo, a carne, pois ainda não fomos arrebatados. 

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Escrevemos o nosso livro da vida com as nossas decisões, atitudes, que vem das escolhas que fazemos. Que em nossa vida não venhamos a tomar atitudes desastrosas, sem pensar, deduzindo apenas que "tudo está nas mãos de Deus", pois antes de você entregar a sua vida e o seu namoro nas mãos de Deus, antes Ele entregou nas suas mãos as suas escolhas e decisões. 

Se você for uma pessoa de oração, honesta, sincera, amorosa, que se preocupa com o seu semelhante, que abençoa o seu próximo, que quer ver bem os seus irmãos em Cristo, com certeza você terá atitudes que irão trazer resultados positivos, e as bênçãos do Senhor serão sempre sobre a sua vida. E mesmo que você tenha se frustrado, se decepcionado com alguém, se acalme. Deus ainda tem o melhor para você. Se no fim nada deu certo, é porque ainda não chegou o fim.

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".
(1º Coríntios 13:4-7)

Denis de Oliveira é Pastor da Igreja Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.

É pecado o cristão ouvir música secular, ou seja, não-evangélica?

O meio evangélico é cercado de "ísmos" do pensamento religioso. Um monte de crenças, superstições, achismos, recheados de dúvidas, perturbam a mente de quem se converte e abraça a nova fé, ou seja, se torna evangélico. Quase nunca há certeza, fundamento bíblico, e a sujeição a estas doutrinas é mais movida pelo medo do que propriamente uma suposta "libertação" ou "toque" divino. Recebo por dia muitos emails e mensagens pessoais pelo facebook, de irmãos me perguntando sobre o que é pecado, em diversas áreas da vida. Dúvidas que são frutos de pregações que elas ouviram em igrejas ou reuniões de oração que visitaram. Só pelo fato de existirem as milhares de perguntas que orbitam na mente de grande parte do povo evangélico, temos uma noção de como o medo é o principal motivo da submissão.

Duvida que o medo circule na mente da maioria na congregação sobre as proibições? Faça uma reunião em sua igreja, aborde o assunto pecado, e veja o enorme leque de questões que serão abordadas pela maioria dos irmãos, que farão, no mínimo, de 3 a 5 perguntas cada um. E mesmo nos esforçando para responder cada questão, a maioria ainda sai coçando a cabeça. Se houve uma "libertação" do "mundanismo", ou um "toque do Senhor" na pessoa, porque há tantas dúvidas?! Alguns líderes até evitam reuniões deste tipo, para evitar "polêmicas", pois sabem que ficarão constrangidos com perguntas que não tem respostas.

Dar liberdade ao povo para questionar sobre os dogmas (usos e costumes) quase sempre o pastor fica numa tremenda "saia justa" ao ser sabatinado por membros que estão cheios de perguntas bem formuladas, com lógica. Então vê-se que o fator não é "libertação" ou "o Senhor me tocou para agir assim", mas uma nítida imposição. Prova disso é quando a denominação libera uma proibição antiga, e, aos poucos, sem anunciar publicamente, uma "doutrina" caduca. O assunto corre apenas em "boca miúda". Nos últimos 10 anos a maioria das igrejas mais rigorosas já abriram mão de uma lista de proibições. Simplesmente não é mais pecado, e acabou.

"O conselho do Senhor permanece para sempre". (Salmos 33:11)

Isto se dá pelo fato de inúmeros pregadores pentecostais esbravejarem em alguns púlpitos ditando regras para ser um crente "santo". E a confusão na mente das pessoas surge porque o preletor foi, ao que tudo indica, "usado por Deus", numa manifestação típica do chamado "reteté", como muitos gostam, e com isso acreditam ser o sinal evidente de que o Senhor assinou embaixo de tudo o que foi pregado.

Todavia, o fato do pregador, pastor, missionário ou irmã que é um "vaso de fogo", suar a camisa, sapatear, gritar, ter visões, não é um referencial de que absolutamente "tudo" que ela disser tenha aprovação divina. O ser humano é falho, e isso é levado em conta quando em sua mensagem (mesmo que ela tenha a melhor das intenções de santificação) ela ensinar uma coisa que não passa de um achismo, algo que ela aprendeu, e passa adiante, como regra de salvação.


"Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema". (Gálatas 1:8)

Paulo adverte que, ainda que ELE MESMO ou até mesmo um anjo do céu pregar outro evangelho, que seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. Por isso, é responsabilidade do cristão obediente, ler e estudar as Escrituras com afinco, afinal, ele vai estar obedecendo ao Senhor Jesus, que ordenou em João 5:39: "Examinai as Escrituras". Bom lembrar dos crentes bereanos, de Atos 17:11, em que tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e assim aceitavam. E a bíblia diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica, porque receberam a palavra.

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim". (Atos 17:11)

A maioria destas "doutrinas" fogem aos preceitos bíblicos, mas são engolidos pelo povão, que lê muito pouco a bíblia, e se preocupam em ter uma vida santa, em ser uma bênção, em receber uma vitória. E o pregador, que pula e fala em línguas, finaliza a pregação dizendo que não se pode usar um determinado tipo de veste, porque é vaidade, e devemos "ser santos, como santo é o nosso Deus", e que "tudo vos é lícito, mas nem tudo convém", e usa, além destes, outros versículos que ele achar melhor para associar aos dogmas de sua igreja.

Assim, com a sua demonstração de espiritualidade e versículos isolados (que servem para proibir um monte de coisas), ele ensina, doutrina aquele grupo de ouvintes, e leva-os a acreditar que determinado tipo de roupa, ou ouvir uma música secular (não evangélica) é pecado. E como você não pode contestar ou perguntar em uma pregação, a palavra do preletor fica como uma sentença final. A pessoa sai daquela reunião, ou culto, com uma ideia que lhe fora implantada. Não nasceu em seu coração. Ela não se "SENTIA MAL" antes. Tanto que ela leva um susto ao "descobrir" que um determinado tipo de coisa "é pecado".

Se "sentir mal" ao quebrar determinado tipo de dogma, que a Bíblia nada trata a respeito, APÓS ouvir a mensagem condenatória, é fruto de uma lavagem cerebral. Um exemplo são o uso das camisas sociais. Até os anos 1970 alguns crentes se "sentiam mal" ao usar uma camisa com manga curta (no ombro), e que o correto seria a camisa fechada nos pulsos. Qual o pecado em mostrar os cotovelos e antebraços?! Não havia resposta. Mas era proibido! Hoje nem os pastores fecham mais as mangas das camisas sociais nos pulsos, e somente o fazem com o uso do paletó. Deus "tocou" em uma época, e depois retirou o "toque"? Não é mais pecado mostrar o restante do braço?? Complicado, não?!

O pregador vai embora da reunião com fama de "homem de Deus", que abriu os olhos daqueles infelizes que estavam pecando sem saber. Mas se você for um bom observador, perceberá que muitas denominações evangélicas (não afirmo que sejam todas) arrogam para si o conhecimento de uma "verdadeira santidade" que "as outras não sabem". E por isso as outras igrejas, que não andam na "doutrina", segundo eles, são "igrejas da porta larga" ou "igrejas mundanistas". 

"E dizem: Retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde o dia todo". (Isaías 65:5)

A nível de ilustração, como um mero exemplo, supomos que as doutrinas da "Igreja do Fogo que Sobe" seja totalmente diferente das doutrinas da "Igreja do Fogo que Desce". Em uma, usar camisa roxa, pintar a unha, usar um cordão, coçar a cabeça com a mão esquerda, são pecados terríveis que você está cometendo e não sabia! Na outra, eles já não proíbem nada disso, mas ir à praia, jogar bola, usar uma camiseta ou bermuda (mesmo em casa), usar óculos escuros, usar perfume, são transgressões quase que imperdoáveis, com direito a punições rigorosas, como suspensão, exclusão, e pedir perdão ao ministério de joelhos se quiser estar de novo no rol de membros.

Em algumas igrejas a proibição é implantada de forma sutil, e não é cobrada do púlpito. Porém, no convívio interno entre os irmãos, o tratamento é diferente com aqueles que ainda não se adequaram aos dogmas. Se é sabido, por exemplo, que um determinado irmão ouve música não-evangélica, mesmo que esporadicamente, ele é descartado de oportunidades no microfone, olhado com canto de olho, e ouve um monte de indiretas sobre músicas, até ele confessar que parou de ouvir as "músicas do mundo". Ou seja, por "livre e espontânea pressão" ele para de ouvir as músicas seculares no intuito de não ser desprezado do círculo social religioso, e não porque foi "liberto" ou o "Senhor o tocou" para ele não ouvir mais.

No íntimo ele ainda sente vontade de ouvir no youtube ou no rádio alguma música que marcou sua adolescência, juventude, mesmo que por alguns poucos minutos. Daí lhe restam 2 opções: Ou ele ouve em casa, sem nenhum irmão da igreja por perto, ou pára tudo de vez, seguindo à risca as normas da casa. O grande problema surge quando ele começa a sentir ódio no coração ao ver alguém ouvindo, esculachando os outros, pelo fato dele não poder ouvir. Sua retórica é inflamada de condenações, em tom rancoroso, transpirando sentenças para quem não concorda com ele. E infelizmente isso é o que mais acontece.

E o mais impressionante é que, em ambas igrejas acima citadas como exemplo, você pode cometer os pecados que a bíblia mais condena. Fofocas, mentiras, desonestidades, uso de má fé, traições, falsidades, nunca são levados à sério por muitas destas lideranças, e os membros que fazem tudo isso jamais são disciplinados. Pode até haver, dependendo da gravidade do problema, alguma reunião de membros, exortações, mas a maioria faz mesmo "vista grossa" para pecados desta natureza. É a religiosidade falando mais alto do que uma sincera busca por uma vida de santidade. "Coam um mosquito e engolem um camelo". (Mateus 23:24) 

"Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, engana o seu coração, a sua religião é vã". (Tiago 1:26)

Não são todas as igrejas que beiram o escândalo ao Evangelho, mas se você é um cristão mais vivido, mais maduro, sabe que na realidade há obreiros que "puxam o tapete" de outros obreiros, ciúmes de púlpitos, invejas a cargos ministeriais, alguns armam verdadeiras "ciladas" contra outros colegas de ministério, bajulação ao líder com fins de crescimento nos cargos eclesiásticos, etc. Estes e outros pecados até piores são cometidos por pessoas que acham errado você jogar uma bola com seu filho no quintal de casa, ou ouvir uma música que não seja da categoria gospel. Ou seja, pune-se mais por quebra de estatuto interno do que por desobediência à Palavra de Deus.

Existem músicas seculares que eu não escuto. Percebo que não tem nada de bom. Paulo diz: "Examinai TUDO, retende o que é bom". (1º Tessalonicenses 5:21). O problema de alguns evangélicos é porque ou ele é insípido, ou é 'salgado' demais. Ou é 8, ou é 80. Ou a igreja é saia lá no pé, ou, se não tiver "doutrinas", para ele é a igreja onde "todo mundo anda pelado". Explode em ira descontrolada esculachando todas as outras igrejas, e que somente a dele é a santificada. Quando nos equilibramos na dosagem de cada coisa, nos mantemos em santificação, sem fazer palhaçada, e o mundo nos taxar de alienados da cultura brasileira. Em nosso convívio social devemos explanar opiniões com personalidade própria, e não baseados no que alguém pregou.

Algumas músicas são agradáveis, assim como um bom churrasco, um bom doce, um lindo bolo na confeitaria, ou um delicioso sorvete num dia de calor. Sendo que estas coisas não me atrapalham da minha comunhão com Deus. É pecado comer doce? É pecado comer um bolo ou churrasco?! Óbvio que não. Muitos irmãos até brincam, comparando o churrasco a "entrar na carne", em momentos de descontração, mas o assunto, em si, é mais sério do que muitos imaginam. A glutonaria é um pecado! Está na bíblia. Mas comer um churrasco de vez em quando não chega a tanto. Então vejamos: Comidas e guloseimas são do agrado da carne (no paladar), mas a igreja não proíbe, mesmo sabendo que alguns exageram. Porque a música secular, quando é bonita, e agrada também à carne (aos meus ouvidos) é proibida?!

A falta de ensino, não somente bíblico, mas também de se ter um caráter de cristão, leva muitos religiosos a levarem uma vida dupla. O contrassenso na vida de muitos irmãos que pregam uma coisa e vivem outra é quase que constante. Muitos evangélicos, não somente entoam corinhos na igreja, como também nos aconselham que devemos "entregar nossos problemas nas mãos do Senhor", pois ele cuida de nós, e é a nossa justiça. É um conselho muito bom. Porém, na prática, muitos dos que repetem este ensinamento não vivem nada disso. Em todo o tempo não param de falar, apontam, julgam, condenam. Em alguns casos, quando se trata de problemas eclesiásticos, movem processos contra cantores, igrejas, pastores, outros irmãos, etc. Dentro de casa fazem um verdadeiro inferno na vida de filhos, parentes, ou quem conviva próximo.

Há pessoas que não ouvem músicas "do mundo", mas adoram ouvir fofocas. São pessoas que enxergam pecado na vida de todas as outras pessoas, menos na delas. Veem pecado no pastor, no obreiro, nos jovens, nas irmãs, nos músicos, etc. Sabem da vida de vizinhos, colegas de trabalho, e como estão ocupados demais vigiando a vida alheia, não enxergam seus lares sendo destruídos. Não intercederem pelo próximo, muito pelo contrário, querem falar, e saber de mais fuxicos. Ao invés de tristeza e incentivo para a intercessão, há um certo prazer em saber que "fulano caiu". Espalham com rapidez tudo o que souberem de sua vida. Agora me responda: Quem estará em mais santificação? Um cristão sincero, que busca a Deus, e que, sem vícios e exageros, uma vez ou outra ouve uma música secular, ou aquele irmão que diz detestar "música mundana", e na primeira oportunidade ele te apunhala pelas costas?!

"Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica". (Tiago 3:13-15)

E toda esta confusão é multiplicada por 100 se seus desafetos não estiverem dentro das 'doutrinas' que ele acha ser correto para o cristão. Com o tempo, os filhos vão crescendo, se tornando adolescentes, e como praticamente tudo é proibido, acabam por fugir de casa, se desviam da fé, e tomam verdadeiro repúdio pela igreja. E mesmo diante deste mar de confusões e intrigas que ele cria na família, segundo ele, se você ouvir músicas que não sejam evangélicas, você é um "crente mundano", e precisa ser liberto "das coisas deste mundo".

Em muitos crentes legalistas há uma enorme incoerência entre o discurso e a conduta. Ao vê-los pregar, nos parecem pessoas acima de qualquer suspeita, uma bênção nas mãos de Deus. Ao acompanhar de perto descobrimos que muitos deles não tem apenas meras falhas, mas falta de caráter, principalmente de caráter cristão. Ele não vive nada do que prega aos berros no microfone da igreja. É o conhecido "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Para o cristão isso jamais pode existir, pois além de sermos novas criaturas, somos imitadores de Cristo. Não podemos apenas mudar a coleção de cd's e repertório musical, e ter um comportamento mundano em várias outras áreas de nossa vida.

Todavia não podemos generalizar. Não são todos que agem desta forma. Tenho amigos pastores e obreiros, que mesmo sendo defensores das doutrinas de suas igrejas, são pessoas sensatas, honestas, que respeitam as outras denominações, e até eles mesmo admitem que se deve ter uma certa moderação em querer "doutrinar" e julgar os outros. Isso porque já pesquisaram, e sabem da história de suas igrejas, das doutrinas antigas, ensinadas rigorosamente por mais de 30 anos, e que hoje não vigoram mais.

E não é porque a "igreja esfriou" ou porque é o "fim dos tempos". Beber refrigerantes, usar shampoo, usar sandálias, andar de moto, comer pipoca, usar calça jeans, usar camisa de manga curta, não está associada ao fim da santidade na igreja, pois nem eles pregam mais nenhuma destas proibições. Porém nossos avós seguiram à risca, e ficaram sujeitos a disciplina, caso não obedecessem. Em algumas denominações, nos anos 1930, se o homem andasse sem o chapéu, era excluído de comunhão. Onde foram parar estas “doutrinas”? Não eram de Deus? E se eram, porque acabaram?? Se não eram de Deus, porque permaneceram por tanto tempo, suspendendo e excluindo irmãos? Uma pena ter se punido tanta gente. Ainda hoje esta história se repete em muitas igrejas, mas com outras proibições.

A palavra pecado origina-se do grego "hamartia" e significa errar o alvo. Se o meu alvo, que é Cristo, é desviado por alguma barreira, logo eu identifico o pecado. Uma música não evangélica te afasta da presença de Deus? Como? Porque?! É só explicar como isso acontece! Só porque se trata de uma "música do mundo"?! Responda: Você come comida "do mundo"? Usa roupas "do mundo"? Paletó e gravata são usados por políticos, executivos, funcionários de grandes empresas. Qual a diferença para o paletó e gravata dos cristãos? Muitas foram confeccionadas por estilistas e costureiros não-evangélicos. É uma vestimenta "do mundo"?!

Se você usa roupas sociais, no que você é "diferente do mundo"?? Há pessoas que colocam as melhores roupas, as mais caras, algumas justas demais (mesmo saias longas), para irem à igreja no domingo. Com que objetivo estas pessoas colocam estas roupas e vão ao culto?! Com um coração puro para adorar a Deus? Então é razoável concluir que, ser do mundo ou não, não está na aparência, na exteriorização das coisas, na música ou roupa ser feita por evangélicos ou não, mas naquilo que colocamos o nosso coração. "Onde estiver o seu tesouro, aí estará teu coração". (Mateus 6:21)

Muitos chegam a dizer que se "sentem mal" ao ouvirem "músicas do mundo", mas seus corações estão cheios de maldade, falsidade, que também são comportamentos "deste mundo". Com o que estas pessoas teriam que se "sentir mal" em primeiro lugar? Acredito que o cristão verdadeiro, transformado, faça uma melhor seleção das músicas que ouve, mas qual a preocupação primordial de um cristão verdadeiramente convertido? Mudar sua interpretação sobre o que é música gospel e música do mundo, e a mudança interior ficar em segundo plano? 

Não é estranho haver atitudes desonestas por parte de pessoas que se auto intitulam tão espirituais, que acham errado ouvir música secular, e exigem tanta "santidade"? A palavra santificação significa separação, e não isolamento ou alienação. A verdade é que estas palavras são confundidas. Já percebeu que filho de crente quando se desvia comete todo tipo de pecado em dobro, se comportando pior que um incrédulo?! Na verdade ele saiu de uma prisão religiosa, sufocado por um julgo, quando deveria ser livre em Cristo Jesus. 

Pense agora com toda a sinceridade de seu coração: Como pode Deus tocar profundamente numa pessoa para ela não ouvir sequer uma música não-evangélica, a ponto dela dizer que "se sente mal" e esta mesma pessoa mentir, caluniar, falar mal dos outros, fazer fofocas?! Não é a doutrina bíblica (que nos ensina a não mentir, a não falar mal do próximo) muito mais importante que dogmas e doutrinas de igreja?! Como pode um mesmo Deus, em uma mesma pessoa, tocar no coração dela em uma área que a Bíblia nada diz a respeito, mas em outra área, das atitudes, do comportamento, do ódio, da desavença, não tocar?! Como pode uma pessoa ser tão "santa" quanto a musicalidade, e ter um coração cheio de inveja, de desejo de vingança?
Para muitos falta respeito, compreensão, oração e diálogo em família.
Para o povo de Deus, o povo comprado, lavado e remido pelo Sangue de Jesus, não existe uma regra moral coletiva. Ao jovem rico Jesus disse para ele vender tudo o que tinha e dar aos pobres, pois sabia que o coração dele estava na riqueza. (Mateus 19:16-23) Mas o Senhor não disse a mesma coisa para outros ricos. Se o seu coração estiver na riqueza, em carros, casas, músicas, seja o que for, aí estas coisas se transformam em pecado na sua vida. Agora, para o povo de Deus existe sim, as Sagradas Escrituras, e nela devemos nos embasar contra o pecado, e não no que pregadores, convenções, igrejas, acham que é certo ou errado.

Quanto a proibições que a bíblia nada trata diretamente, o apóstolo Paulo nos dá um excelente conselho em Romanos 14:14, quando nos diz: "Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda". E no versículo 22 ainda acrescenta: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova".

Os dogmas religiosos mudam com o tempo, mas a Palavra de Deus não muda. A bíblia condena o pecado da glutonaria. Você vê pregadores abordando este assunto? O que tem de irmãos bem acima do peso não é brincadeira. Mas ninguém fala nada, não reprovam, não censuram, tanto quanto ver um cristão ouvindo uma música secular. Ou seja, nossa comunidade evangélica contemporânea vê pecado onde a bíblia nada diz, mas a religião proíbe, e onde a bíblia tanto condena (fofocas, glutonarias, invejas) nada pregam a respeito. Todos os dias pessoas se afastam de igrejas ofendidas, feridas, magoadas, por disse-me-disse, e tudo fica por isso mesmo. E a Palavra nos alerta que "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte". (Provérbios 18:19)

O Senhor Jesus nos ensina: "Não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai dela". (Mateus 15:11). Não é o que entra em nossos ouvidos que pode nos contaminar! O Senhor daria esta mesma resposta se a questão fosse a música, pois se tratava de um dogma, se podia ou não comer com as mãos por lavar, que era a doutrina deles na época. E os discípulos comeram sem lavar as mãos. Há muita superstição no meio evangélico. Podem não ser as mesmas dos que não são crentes, mas não deixam de ser superstições.

Atribui-se o pecado a fatores externos (lavar as mãos, ouvir uma música) e nunca aos propósitos que estão no pensamento, no íntimo. Por isso o Senhor completa: "Mas tudo o que sai da boca, vem do coração, e isto contamina o homem. Pois do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas coisas são as que contaminam o homem; porém o comer sem lavar as mãos não o contamina". (Mateus 15:18-20) E depois de todo este ensinamento maravilhoso, há pessoas que acham que uma música secular é que vai fazer a pessoa pecar!

E quando estamos em um shopping, consultório, e ali toca músicas não evangélicas, o que deveríamos fazer? Tapar os ouvidos?! Sair correndo dali? Não ouvimos do mesmo jeito?! Ainda que alguns contestem, afirmando que em lugares públicos não seria culpa do cristão, o fato é que o problema se relaciona a OUVIR e não ONDE ou de QUE MANEIRA. E como no texto já abordei anteriormente, reforço que o verdadeiro cristão sabe dosar, equilibrar, e que não é um viciado em músicas mundanas, e que também sabe selecionar boas músicas, separando daquelas com letras maliciosas, etc, assim como não pode ser dado a glutonaria.

A lista de dogmas de muitas de nossas igrejas nos anos 1920 a 1960 envergonha a igreja de hoje, e muitos até desconversam, dizendo desconhecedores de tais doutrinas. O perfume, o shampoo, o sabonete, o refrigerante, o chinelo, e outros usos e costumes que eram proibidos na época, hoje estão liberados, e não representam mais pecado nem para os mais legalistas."Mas e daí?" - questionam alguns. "-Esquece isso....Isso foi lá em 1950, 60.... Prá que falar nisso hoje? Isso é passado! Naquela época o povo era muito ignorante!"

Hoje muitos condenam quem ouve "músicas do mundo", ou seja, as músicas que não são evangélicas. Mesmo as mais simples, as mais suaves. Não me refiro as que tem letras maliciosas, mas as boas músicas. Se você ouve música não-evangélica, corre o risco de ser taxado de "crente-mundano", como os que usavam perfume em 1950. Com toda certeza, essa é mais uma doutrina que terá seu fim daqui a uns 20 anos. Mas em 2034, se alguém disser que hoje era reprovado o cristão que ouvia músicas não-evangélicas, alguém comentará: "-Poxa, mas já não tinham TV em casa? Não ouviam essas músicas nos filmes e comerciais...?" E outro responderá: "-E daí??....Isso foi lá em 2014...Prá que falar nisso hoje? Isso é passado!.... Esquece isso...Naquela época o povo era muito ignorante!"

"Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente". (Hebreus 13:8)

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne". (Colossenses 2: 20-23)

"Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão". (Salmo 32:9)

"Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas". (Marcos 7:1-8)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.