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É errado o cristão comerciante vender bebidas alcoólicas?

No Brasil, vender cerveja, principalmente em época de verão, é um negócio de retorno praticamente garantido. O calor de rachar num país de clima tropical, a força da mídia indicando-a como solução refrescante, e o convite dos amigos ao bar da esquina, faz a cerveja vender, e muito! Em uma das igrejas de nossa convenção há um irmão, o Valquer, que é proprietário de uma lanchonete razoavelmente grande e bem localizada. 

É errado o cristão ir assistir os fogos de Ano Novo?!


Toda vez que afirmamos "não pode", observamos uma situação com análise de censura. E toda vez que afirmamos "não devemos", observamos uma situação com análise de princípios. Censura é o ato ou efeito de censurar. Também pode ser sinônimo de repreensão ou reprimenda. 

É pecado a mulher cristã cortar o cabelo?

Nos últimos 20 anos muitas "doutrinas" de algumas igrejas evangélicas, mesmo as mais rigorosas, mudaram, foram abolidas, esquecidas. E isso não é um sinal de "a igreja esfriou", ou se tornou uma "porta larga". Proibições como: beber refrigerantes, usar perfume, mascar chicletes, usar chinelo, dentre outras, não são mais um sinal de "mundanismo" para algumas denominações de hoje que pregavam fervorosamente contra estas coisas em décadas passadas. Até os anos 1960 ser "crente" era sinônimo de se tornar isolado de quase tudo. A palavra "santificação" significa separação, e não alienação. Milhares de pessoas foram advertidas, suspensas e excluídas de comunhão por regras que hoje são vistas como ridículas.

Realizar um estudo mais profundo das Escrituras nunca foi algo tão incentivado em muitas igrejas. Sempre foi deixado como opção pessoal estudar mais ou menos a Palavra de Deus, como se isso fosse um "dom". Me lembro que na escola dominical, se alguém fizesse alguma pergunta mais complicada, mesmo dentro do assunto, a resposta quase nunca era satisfatória. Pouca coisa era explicada. E se alguém insistisse na questão, era tido como "criador de polêmicas". Com uma rapidez incrível isso chegava ao ouvido do pastor. "-Fulano criou polêmica lá na escola dominical". Uma repreensão no gabinete já era certa! 

Mesmo estando com o cabelo curto,
fora da "doutrina" da igreja, alguns
pastores parecem não reprovar
quando se trata de uma empresária
.
Me parece contraditório em algumas denominações evangélicas, quando o líder é um defensor ferrenho de suas "doutrinas", e ele não se comporta com a mesma intolerância diante de empresários, políticos, e pessoas de maior poder aquisitivo. Em seu relacionamento com os irmãos mais humildes (os mais pobres mesmo), alguns líderes parecem irredutíveis. Olham com seriedade, balançam a cabeça para os lados reprovando roupas, cabelos, e perfis que não se enquadram em suas "doutrinas". Parece não haver chance alguma dele simpatizar com os que eles chamam de "crentes mundanos". Mas se, em alguma visita à igreja, a esposa de um empresário ou político, estiver de calça-comprida, cabelo cortado e maquiada, por exemplo, afirmando ser evangélica, não será visto nenhum ar de reprovação por parte deles. Muito pelo contrário, abraços e largos sorrisos estarão estampados em seus rostos, como se tudo ali estivesse da maneira como eles ensinam.

Será que Deus, que 
"não faz acepção de pessoas" (Romanos 2:11), trata de modo diferente os ricos dos pobres?! Se há, por parte de alguns pastores, um repúdio tão grande quanto as "vaidades", que as mulheres maquiadas e com cabelos cortados estão com "espírito de prostituição", como podem ser tão simpáticos e receptíveis a mulheres com cabelo curto, de calça-comprida e super-maquiadas, (inclusive algumas sobem no púlpito de suas igrejas), desde que elas tenham elevada posição social? O dinheiro e o status destas pessoas na sociedade as redime do terrível "pecado da vaidade"?! Com certeza que não, e estes líderes sabem muito bem disso. Então percebemos uma clara hipocrisia e contradição em determinados grupos, que são rigorosos com uns, mas flexíveis com outros, quando há interesses envolvidos.

Vamos então ao assunto do cabelo. O texto que é tomado por base para a proibição da mulher cristã cortar o cabelo é:

"Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu. O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem. Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem. Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos. Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus. Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus". (1º Coríntios 11:4-16)

Quando somos apenas meros leitores da bíblia, a primeira coisa que perguntamos é: "-O livro de Coríntios não é a Palavra de Deus para todos nós?!" Eu mesmo, quando ainda novo no evangelho, dizia isso a quem queria me explicar esta passagem. E mesmo sendo um fervoroso defensor dos dogmas de minha igreja, reconheci o meu erro, e neste texto você verá o porque.

Ao lermos as Sagradas Escrituras, temos que ter bastante cuidado quanto a aplicação em nossa vida. Se formos seguir ao "pé da letra" os textos, sem respeitar a cultura e a época em que foram escritos, iremos criar um monte de dogmas e heresias, achando que estamos fazendo "a vontade de Deus". Em razão disso há um número enorme de igrejas e seitas se auto-intitulando "santas" em suas "doutrinas" e se apoiando no que "a bíblia diz". Não são poucas as novas denominações evangélicas que surgem todos os dias, afirmando serem as "resgatadoras da verdadeira santidade" que eles afirmam não ter na igreja de onde saíram. E detalhe: nenhuma outra igreja no mundo sabe dos "segredos profundos" sobre santificação que só eles ensinam. Geralmente não passam de questiúnculas, criadas por quem não entende absolutamente nada de bíblia, e elaboradas no objetivo de criarem um 'muro' entre eles e as outras igrejas. Uma tática para segurar os membros em uma época que há quase uma igreja em cada esquina.

Não somente o livro de Coríntios, mas todos os livros da Bíblia, que falam de túnicas, mantos, alforjes, cálices, alparcas, etc, são a Palavra de Deus. Na época do apóstolo Paulo, por exemplo, parece que um monte de coisas eram "indecentes" com relação a mulher, senão vejamos:

"As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos, porque é indecente que as mulheres falem na igreja". (1º Coríntios 14:34,35)

Ora, as mulheres não cantam e testemunham no microfone da igreja nos dias de hoje?! Há mulheres que tem cd's gravados, pregam, ganham almas, enfim, fazem a obra de Deus. Mas e o que Paulo disse nos versículos acima?? Não é para ficarem caladas?! Então das duas, uma: Ou todas as igrejas estão erradas, ou há uma explicação plausível para este texto bíblico. Esta passagem existe porque as mulheres faziam perguntas que constrangiam os ministros na época. Não existiam caixas de som, microfone, nada disso. Nas reuniões, como nos mostra o livro de Atos, eram feitas perguntas, dos mais diversos assuntos, e por isso, nesta mesma passagem, logo no versículo abaixo, Paulo explica: "E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos...". (versíc. 35) E porque seria indecente ouvir uma mulher falar?? Por acaso o Senhor Jesus não conversou com uma mulher samaritana? Vamos a um outro texto bíblico:

"E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus". (Mateus 23:9) 

Você chama o seu pai carnal de "pai"? Está desobedecendo as Escrituras?? Ora, a bíblia nos manda "honrar pai e mãe". O próprio Senhor Jesus repetiu este mandamento em Mateus 19:19. Mas o versículo de Mateus 23 é enfático: "A NINGUÉM na terra chameis de pai..." E agora? Como fica esta confusão?? Honrar PAI e mãe, ou não chamar ninguém na terra de Pai?! Explicando: observe que os versículos de 5 à 12 de Mateus 23 se dirige ao tratamento a líderes espirituais, que queriam títulos que somente podem ser dados a Deus. Veja o modo como é escrito: "A ninguém na terra chameis de pai..." Ora, se fosse para não chamar de "pai" o pai carnal, biológico, seria mais fácil o Senhor ordenar não chamar de pai o nosso chefe de família, não? Afinal, não vivemos chamando a qualquer um de "pai", exceto ao nosso ente querido familiar que recebe este título. E se o pecado fosse chamar de "pai" um membro da família, o Senhor também falaria algo do título de "mãe", que recebe a mesma estima dos filhos. Então está claro que estes "pais", que Jesus se referia, era devido ao problema do 'endeusamento' de líderes.

O apóstolo Paulo também ordena, em vários cartas, a saudar os irmãos com o "ósculo santo". A palavra ósculo significa tão somente o beijo ao cumprimentar. Isso mesmo, beijar na face. Aqui no Brasil, independente da religião, o cumprimento é comum no rosto entre mulheres, e homens com mulheres. Nunca entre homens. Mas a ordenação bíblica não distingue sexo. Há até igrejas, defensoras do "ósculo santo", ordenando cumprimentar o próximo beijando no rosto, mesmo entre homens. E é o que a bíblia diz, não? Vejamos:

"Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo". (Romanos 16:16 / 1º Cor. 16:20 / 2º Cor. 13:12 / 1º Tess. 5:26 / 1º Pedro 5:14)

Aqui não há apenas um texto como o caso do cabelo, mas 5 (cinco) referências sobre cumprimentar um irmão com o "ósculo santo". O que o apóstolo Paulo deseja não é que tenhamos apenas um ritual de cumprimentar beijando, afinal, bem antes de Paulo escrever isso, Judas traiu Jesus com um beijo. Era a maneira mais comum de saudação. Mas Paulo deseja que venhamos a falar com nosso próximo com sinceridade. Tanto que ele fala de ósculo "SANTO". Senão ele diria apenas para "saudar com o ósculo". E ponto final. Se na época a saudação fosse apenas um apertar de mão, ele diria para ter um "aperto de mão santo", ou seja, com sinceridade, sem falsidade.

Uma das passagens bíblicas usadas para se fazer apologia à pobreza cristã, é a passagem de Jesus e o jovem rico. Diante da pergunta do jovem, sobre o que ele deveria fazer para se salvar, Jesus cita os mandamentos, e também lhe ordena: "Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres". (Mateus 19:21) É pecado ser rico? Devemos vender tudo o que temos e dar aos pobres?! Porque Jesus não disse o mesmo para Nicodemos, Zaqueu, e tantos outros?! O Senhor Jesus, quando nos ensina a orar, afirma: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento…" (Mateus 6:5). Ora, como a pessoa vai ter um aposento, uma casa, se ela tem que vender TUDO e dar aos pobres?! Com certeza Jesus disse aquilo ao jovem rico porque sabia que ele era agarrado demais as suas riquezas. Por este motivo o jovem "retirou-se triste". O seu coração estava nas suas "muitas propriedades" (vers. 22).

Então, se estas passagens tem as suas devidas explicações, porque a mulher cristã deve observar à risca o texto de 1º Coríntios 11, sobre cortar o cabelo?!

O texto de 1º Coríntios 11:4-16, que trata do corte de cabelo, foi escrito em uma carta endereçada a uma igreja que se localizava na cidade grega de Corinto. Esta era uma cidade portuária, e por isso, vinham pessoas de todos os lugares do mundo. Juntamente com elas, vinham as suas crenças religiosas. Devido este motivo, havia em Corinto templos em honra a vários deuses, inclusive o Templo de Afrodite. O culto à deusa do amor envolvia relações sexuais, orgias cultuais. Havia na época por volta de mil prostitutas em Corinto. Esta prostituição gerava muita riqueza para a cidade. 

A prostituta cultual, para se diferenciar da mulher comum, cortava o seu cabelo bem curto, e assim, todos que vissem uma mulher com cabelo curto saberiam que se tratava de uma prostituta de Afrodite. Esta era uma forma de identificá-las. Ou seja, era vergonhoso para a mulher cristã cortar ou aparar o cabelo, apenas em Corinto, pois poderia ser facilmente confundida com uma prostituta do templo de Afrodite. Por isso, a recomendação da carta de Paulo para as mulheres cristãs não cortarem os seus cabelos.

E outra: Será que ninguém lê o último versículo do texto??? "Nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus". O apóstolo Paulo em nenhum momento fala de PECADO ou desobediência as leis do Senhor. Apenas fala de DESONRA. Era uma "desonra", na época, para a mulher, e não para Deus! Como vemos, a palavra foi algo específico na cidade de Corinto. Do contrário, Deus ordenaria a Sansão ser "desonroso"?! Se o homem ter os cabelos crescidos lhe é desonroso, porque Sansão podia ter, e ainda como determinação do próprio Deus?!

Pelo que se nota, em nenhum lugar Paulo proíbe cortar o cabelo ou tê-lo mais curto ou mais comprido. O que ele ensina aos coríntios é: ou tem cabelo ou rapa a cabeça por completo, devido ao problema da cidade na época. Mas, não fala de cortar o cabelo. Afinal, a cobertura poderia ser mais curta ou mais comprida. Se não fosse assim, seria difícil para as mulheres africanas serem puras, no uso do cabelo como véu, cujo cabelo é geralmente, muito pequeno, e lá tanto as mulheres como os homens tem o cabelo curto. 

Daí alguém poderá dizer: "Ah, mas a mulher que tem o cabelo dito 'ruim' pode alisar, etc". Então neste caso a mulher pode ALTERAR A NATUREZA, o que mais estas igrejas condenam?! A única coisa que Paulo recomenda para Corinto é que o cabelo da mulher deve ser, no entanto, mais longo e o cabelo do homem curto.

Mulheres africanas - cabelos curtos. Elas podem alterar a natureza??

Observe o que diz o versículo 13 de 1º Cor. 11:4: "Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu".

Quem deveria julgar? Eram somente os irmãos de Coríntios, pois a eles foi dirigida esta exortação, e nas outras não havia o problema que existia lá. Nem Jesus e nem outro apóstolo abordou este assunto. Porquê? A Bíblia não diz que as irmãs que cortam o cabelo ficarão de fora do Reino de Deus. "Mas ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os que se prostituem, os homicidas, os idólatras, e qualquer que ama e pratica a mentira". (Apocalipse 22:15) Mas condena a fofoca, a mentira, e estas coisas vemos acontecer demais em muitas igrejas, e quase não é pregado, ou encarado como pecado, tanto quanto uma irmã cortar o cabelo. 

Muitas mulheres tem os cabelos que se arrastam pelos pés, mas não têm respeito pelo marido, vivem em rodinhas de fofocas, falam mal de outros irmãos, da igreja, do pastor, criticam quase tudo que é organizado no templo, mentem para faltar no trabalho, tratam os irmãos com falsidade, e acham que o tamanho do cabelo irá intimidar a Deus de condená-las.

Não são todas as irmãs que agem assim, mas me impressiona o número de cristãs, que mesmo exibindo um cabelo enorme, são as típicas "crentes cobra criada". São afiadas em dar respostas, maliciosas, e sabem de quase tudo da vida alheia. Algumas chegam a recitar um conhecido ditado: "-Quando fulano vem com o milho, já estou voltando com o fubá". O apóstolo Paulo, e várias passagens das Escrituras, condenam o "pecado da malícia". Para estas pessoas, o cristão sincero, que não se junta aos fofoqueiros para saber dos "babados" da igreja, é um bôbo. "Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento". (1º Coríntios 14:20) 

Em uma ocasião uma mãe dirigiu-se ao gabinete pastoral da igreja para relatar o pecado de prostituição que sua filha cometera, e após comunicar o assunto ao pastor, ela disse: "Pastor, eu ainda fico feliz com minha filha, pois ao menos ela não cortou o cabelo". Como se o pecado de prostituição não fosse tão grave, e cortar os cabelos fosse um pecado quase que imperdoável. Foi o que ela aprendeu com o legalismo religioso. Pode não ser admitido abertamente, mas este é o sentimento involuntário que há no coração deste tipo de crente. É feito vista grossa para pecados que a bíblia condena, mas desobedecer as doutrinas da igreja é algo "escandaloso" para eles.


Se de um lado existem as mulheres maliciosas, sejamos honestos, em algumas igrejas, quem mais sofre mesmo com as inúmeras proibições, são as mulheres. Nos púlpitos, os pregadores vociferam pregações proibitivas, acusando de vaidosas e de "Jezabel" aquelas que não andam segundo suas doutrinas. Em muitas ocasiões alguns destes pastores ou pregadores, trajam um terno caríssimo, ostentando uma bela gravata de seda importada (quase sempre presa por um grampo de ouro), sapatos brilhosos, porém exigem simplicidade no trajar das mulheres.

Se você começar a estudar a história de algumas denominações, descobrirá o início de algumas "doutrinas" e proibições, que ainda hoje causam dúvidas e medo no meio evangélico. A maioria das proibições, chamadas por eles de "doutrinas", foram criadas na data de sua fundação, e são os estatutos internos da igreja. Em algumas denominações o homem não pode ter bigode. Outras não permitem assistir o culto com os pés calçados. E mais uma lista enorme de regras. Se uma igreja foi fundada em 1930, por exemplo, e ela acredita piamente que suas doutrinas são as únicas certas, como fica o povo que viveu antes desta data?! Não havia salvação antes de 1930?!  

O que era para trazer ao meio cristão fé, segurança, sabedoria, traz medo, incertezas, debates, escândalos e ainda perde-se de ganhar muitas almas para Jesus, pois ao invés de pregar somente o evangelho, se concentram em jogar indiretas, do tipo "Há irmãs que tem que vigiar com o cabelo". Pregações carregadas de ódio, preconceitos, que mais afastam do que 'pescam' almas para o Reino de Deus. "O que ganha almas sábio é". (Provérbios 11:30)

Sou pastor, e jamais serei a favor da libertinagem, em que o cristão possa viver fazendo de tudo. O verdadeiro servo de Deus, deve viver em santidade e sinceridade. Se ele prega algo que condena, se defende as doutrinas de sua denominação, faça o mesmo na presença de empresários, políticos, filho do prefeito, esposa do deputado, etc. Não pode ser um hipócrita. 

Respeito a todas as igrejas que mantém as suas doutrinas. Tenho muitos amigos pastores, das mais diversas denominações, e não os ofendo. Até muitos deles admitem que deve se ter um equilíbrio e moderação em muitas proibições. Todavia, na minha opinião, observar tamanho de cabelo como referencial de santidade e regra para entrar no céu, é pregar um "outro evangelho". (Gálatas 1:8)

"Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, é soberbo, e nada sabe". (1º Timóteo 6:3)

"Não julgueis segundo a aparência, mas sim pela reta justiça". (João7:24)

"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros". (João 13:35)

"Fugi dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas". (Marcos 12:38)

(Fontes de pesquisa e alguns textos extraídos: Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida; Pr Elias Ribas; Diálogo Aberto e Original por André Francisco; imagens meramente ilustrativas).


Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.

É pecado o cristão ouvir música secular, ou seja, não-evangélica?

O meio evangélico é cercado de "ísmos" do pensamento religioso. Um monte de crenças, superstições, achismos, recheados de dúvidas, perturbam a mente de quem se converte e abraça a nova fé, ou seja, se torna evangélico. Quase nunca há certeza, fundamento bíblico, e a sujeição a estas doutrinas é mais movida pelo medo do que propriamente uma suposta "libertação" ou "toque" divino. Recebo por dia muitos emails e mensagens pessoais pelo facebook, de irmãos me perguntando sobre o que é pecado, em diversas áreas da vida. Dúvidas que são frutos de pregações que elas ouviram em igrejas ou reuniões de oração que visitaram. Só pelo fato de existirem as milhares de perguntas que orbitam na mente de grande parte do povo evangélico, temos uma noção de como o medo é o principal motivo da submissão.

Duvida que o medo circule na mente da maioria na congregação sobre as proibições? Faça uma reunião em sua igreja, aborde o assunto pecado, e veja o enorme leque de questões que serão abordadas pela maioria dos irmãos, que farão, no mínimo, de 3 a 5 perguntas cada um. E mesmo nos esforçando para responder cada questão, a maioria ainda sai coçando a cabeça. Se houve uma "libertação" do "mundanismo", ou um "toque do Senhor" na pessoa, porque há tantas dúvidas?! Alguns líderes até evitam reuniões deste tipo, para evitar "polêmicas", pois sabem que ficarão constrangidos com perguntas que não tem respostas.

Dar liberdade ao povo para questionar sobre os dogmas (usos e costumes) quase sempre o pastor fica numa tremenda "saia justa" ao ser sabatinado por membros que estão cheios de perguntas bem formuladas, com lógica. Então vê-se que o fator não é "libertação" ou "o Senhor me tocou para agir assim", mas uma nítida imposição. Prova disso é quando a denominação libera uma proibição antiga, e, aos poucos, sem anunciar publicamente, uma "doutrina" caduca. O assunto corre apenas em "boca miúda". Nos últimos 10 anos a maioria das igrejas mais rigorosas já abriram mão de uma lista de proibições. Simplesmente não é mais pecado, e acabou.

"O conselho do Senhor permanece para sempre". (Salmos 33:11)

Isto se dá pelo fato de inúmeros pregadores pentecostais esbravejarem em alguns púlpitos ditando regras para ser um crente "santo". E a confusão na mente das pessoas surge porque o preletor foi, ao que tudo indica, "usado por Deus", numa manifestação típica do chamado "reteté", como muitos gostam, e com isso acreditam ser o sinal evidente de que o Senhor assinou embaixo de tudo o que foi pregado.

Todavia, o fato do pregador, pastor, missionário ou irmã que é um "vaso de fogo", suar a camisa, sapatear, gritar, ter visões, não é um referencial de que absolutamente "tudo" que ela disser tenha aprovação divina. O ser humano é falho, e isso é levado em conta quando em sua mensagem (mesmo que ela tenha a melhor das intenções de santificação) ela ensinar uma coisa que não passa de um achismo, algo que ela aprendeu, e passa adiante, como regra de salvação.


"Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema". (Gálatas 1:8)

Paulo adverte que, ainda que ELE MESMO ou até mesmo um anjo do céu pregar outro evangelho, que seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. Por isso, é responsabilidade do cristão obediente, ler e estudar as Escrituras com afinco, afinal, ele vai estar obedecendo ao Senhor Jesus, que ordenou em João 5:39: "Examinai as Escrituras". Bom lembrar dos crentes bereanos, de Atos 17:11, em que tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e assim aceitavam. E a bíblia diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica, porque receberam a palavra.

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim". (Atos 17:11)

A maioria destas "doutrinas" fogem aos preceitos bíblicos, mas são engolidos pelo povão, que lê muito pouco a bíblia, e se preocupam em ter uma vida santa, em ser uma bênção, em receber uma vitória. E o pregador, que pula e fala em línguas, finaliza a pregação dizendo que não se pode usar um determinado tipo de veste, porque é vaidade, e devemos "ser santos, como santo é o nosso Deus", e que "tudo vos é lícito, mas nem tudo convém", e usa, além destes, outros versículos que ele achar melhor para associar aos dogmas de sua igreja.

Assim, com a sua demonstração de espiritualidade e versículos isolados (que servem para proibir um monte de coisas), ele ensina, doutrina aquele grupo de ouvintes, e leva-os a acreditar que determinado tipo de roupa, ou ouvir uma música secular (não evangélica) é pecado. E como você não pode contestar ou perguntar em uma pregação, a palavra do preletor fica como uma sentença final. A pessoa sai daquela reunião, ou culto, com uma ideia que lhe fora implantada. Não nasceu em seu coração. Ela não se "SENTIA MAL" antes. Tanto que ela leva um susto ao "descobrir" que um determinado tipo de coisa "é pecado".

Se "sentir mal" ao quebrar determinado tipo de dogma, que a Bíblia nada trata a respeito, APÓS ouvir a mensagem condenatória, é fruto de uma lavagem cerebral. Um exemplo são o uso das camisas sociais. Até os anos 1970 alguns crentes se "sentiam mal" ao usar uma camisa com manga curta (no ombro), e que o correto seria a camisa fechada nos pulsos. Qual o pecado em mostrar os cotovelos e antebraços?! Não havia resposta. Mas era proibido! Hoje nem os pastores fecham mais as mangas das camisas sociais nos pulsos, e somente o fazem com o uso do paletó. Deus "tocou" em uma época, e depois retirou o "toque"? Não é mais pecado mostrar o restante do braço?? Complicado, não?!

O pregador vai embora da reunião com fama de "homem de Deus", que abriu os olhos daqueles infelizes que estavam pecando sem saber. Mas se você for um bom observador, perceberá que muitas denominações evangélicas (não afirmo que sejam todas) arrogam para si o conhecimento de uma "verdadeira santidade" que "as outras não sabem". E por isso as outras igrejas, que não andam na "doutrina", segundo eles, são "igrejas da porta larga" ou "igrejas mundanistas". 

"E dizem: Retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde o dia todo". (Isaías 65:5)

A nível de ilustração, como um mero exemplo, supomos que as doutrinas da "Igreja do Fogo que Sobe" seja totalmente diferente das doutrinas da "Igreja do Fogo que Desce". Em uma, usar camisa roxa, pintar a unha, usar um cordão, coçar a cabeça com a mão esquerda, são pecados terríveis que você está cometendo e não sabia! Na outra, eles já não proíbem nada disso, mas ir à praia, jogar bola, usar uma camiseta ou bermuda (mesmo em casa), usar óculos escuros, usar perfume, são transgressões quase que imperdoáveis, com direito a punições rigorosas, como suspensão, exclusão, e pedir perdão ao ministério de joelhos se quiser estar de novo no rol de membros.

Em algumas igrejas a proibição é implantada de forma sutil, e não é cobrada do púlpito. Porém, no convívio interno entre os irmãos, o tratamento é diferente com aqueles que ainda não se adequaram aos dogmas. Se é sabido, por exemplo, que um determinado irmão ouve música não-evangélica, mesmo que esporadicamente, ele é descartado de oportunidades no microfone, olhado com canto de olho, e ouve um monte de indiretas sobre músicas, até ele confessar que parou de ouvir as "músicas do mundo". Ou seja, por "livre e espontânea pressão" ele para de ouvir as músicas seculares no intuito de não ser desprezado do círculo social religioso, e não porque foi "liberto" ou o "Senhor o tocou" para ele não ouvir mais.

No íntimo ele ainda sente vontade de ouvir no youtube ou no rádio alguma música que marcou sua adolescência, juventude, mesmo que por alguns poucos minutos. Daí lhe restam 2 opções: Ou ele ouve em casa, sem nenhum irmão da igreja por perto, ou pára tudo de vez, seguindo à risca as normas da casa. O grande problema surge quando ele começa a sentir ódio no coração ao ver alguém ouvindo, esculachando os outros, pelo fato dele não poder ouvir. Sua retórica é inflamada de condenações, em tom rancoroso, transpirando sentenças para quem não concorda com ele. E infelizmente isso é o que mais acontece.

E o mais impressionante é que, em ambas igrejas acima citadas como exemplo, você pode cometer os pecados que a bíblia mais condena. Fofocas, mentiras, desonestidades, uso de má fé, traições, falsidades, nunca são levados à sério por muitas destas lideranças, e os membros que fazem tudo isso jamais são disciplinados. Pode até haver, dependendo da gravidade do problema, alguma reunião de membros, exortações, mas a maioria faz mesmo "vista grossa" para pecados desta natureza. É a religiosidade falando mais alto do que uma sincera busca por uma vida de santidade. "Coam um mosquito e engolem um camelo". (Mateus 23:24) 

"Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, engana o seu coração, a sua religião é vã". (Tiago 1:26)

Não são todas as igrejas que beiram o escândalo ao Evangelho, mas se você é um cristão mais vivido, mais maduro, sabe que na realidade há obreiros que "puxam o tapete" de outros obreiros, ciúmes de púlpitos, invejas a cargos ministeriais, alguns armam verdadeiras "ciladas" contra outros colegas de ministério, bajulação ao líder com fins de crescimento nos cargos eclesiásticos, etc. Estes e outros pecados até piores são cometidos por pessoas que acham errado você jogar uma bola com seu filho no quintal de casa, ou ouvir uma música que não seja da categoria gospel. Ou seja, pune-se mais por quebra de estatuto interno do que por desobediência à Palavra de Deus.

Existem músicas seculares que eu não escuto. Percebo que não tem nada de bom. Paulo diz: "Examinai TUDO, retende o que é bom". (1º Tessalonicenses 5:21). O problema de alguns evangélicos é porque ou ele é insípido, ou é 'salgado' demais. Ou é 8, ou é 80. Ou a igreja é saia lá no pé, ou, se não tiver "doutrinas", para ele é a igreja onde "todo mundo anda pelado". Explode em ira descontrolada esculachando todas as outras igrejas, e que somente a dele é a santificada. Quando nos equilibramos na dosagem de cada coisa, nos mantemos em santificação, sem fazer palhaçada, e o mundo nos taxar de alienados da cultura brasileira. Em nosso convívio social devemos explanar opiniões com personalidade própria, e não baseados no que alguém pregou.

Algumas músicas são agradáveis, assim como um bom churrasco, um bom doce, um lindo bolo na confeitaria, ou um delicioso sorvete num dia de calor. Sendo que estas coisas não me atrapalham da minha comunhão com Deus. É pecado comer doce? É pecado comer um bolo ou churrasco?! Óbvio que não. Muitos irmãos até brincam, comparando o churrasco a "entrar na carne", em momentos de descontração, mas o assunto, em si, é mais sério do que muitos imaginam. A glutonaria é um pecado! Está na bíblia. Mas comer um churrasco de vez em quando não chega a tanto. Então vejamos: Comidas e guloseimas são do agrado da carne (no paladar), mas a igreja não proíbe, mesmo sabendo que alguns exageram. Porque a música secular, quando é bonita, e agrada também à carne (aos meus ouvidos) é proibida?!

A falta de ensino, não somente bíblico, mas também de se ter um caráter de cristão, leva muitos religiosos a levarem uma vida dupla. O contrassenso na vida de muitos irmãos que pregam uma coisa e vivem outra é quase que constante. Muitos evangélicos, não somente entoam corinhos na igreja, como também nos aconselham que devemos "entregar nossos problemas nas mãos do Senhor", pois ele cuida de nós, e é a nossa justiça. É um conselho muito bom. Porém, na prática, muitos dos que repetem este ensinamento não vivem nada disso. Em todo o tempo não param de falar, apontam, julgam, condenam. Em alguns casos, quando se trata de problemas eclesiásticos, movem processos contra cantores, igrejas, pastores, outros irmãos, etc. Dentro de casa fazem um verdadeiro inferno na vida de filhos, parentes, ou quem conviva próximo.

Há pessoas que não ouvem músicas "do mundo", mas adoram ouvir fofocas. São pessoas que enxergam pecado na vida de todas as outras pessoas, menos na delas. Veem pecado no pastor, no obreiro, nos jovens, nas irmãs, nos músicos, etc. Sabem da vida de vizinhos, colegas de trabalho, e como estão ocupados demais vigiando a vida alheia, não enxergam seus lares sendo destruídos. Não intercederem pelo próximo, muito pelo contrário, querem falar, e saber de mais fuxicos. Ao invés de tristeza e incentivo para a intercessão, há um certo prazer em saber que "fulano caiu". Espalham com rapidez tudo o que souberem de sua vida. Agora me responda: Quem estará em mais santificação? Um cristão sincero, que busca a Deus, e que, sem vícios e exageros, uma vez ou outra ouve uma música secular, ou aquele irmão que diz detestar "música mundana", e na primeira oportunidade ele te apunhala pelas costas?!

"Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica". (Tiago 3:13-15)

E toda esta confusão é multiplicada por 100 se seus desafetos não estiverem dentro das 'doutrinas' que ele acha ser correto para o cristão. Com o tempo, os filhos vão crescendo, se tornando adolescentes, e como praticamente tudo é proibido, acabam por fugir de casa, se desviam da fé, e tomam verdadeiro repúdio pela igreja. E mesmo diante deste mar de confusões e intrigas que ele cria na família, segundo ele, se você ouvir músicas que não sejam evangélicas, você é um "crente mundano", e precisa ser liberto "das coisas deste mundo".

Em muitos crentes legalistas há uma enorme incoerência entre o discurso e a conduta. Ao vê-los pregar, nos parecem pessoas acima de qualquer suspeita, uma bênção nas mãos de Deus. Ao acompanhar de perto descobrimos que muitos deles não tem apenas meras falhas, mas falta de caráter, principalmente de caráter cristão. Ele não vive nada do que prega aos berros no microfone da igreja. É o conhecido "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Para o cristão isso jamais pode existir, pois além de sermos novas criaturas, somos imitadores de Cristo. Não podemos apenas mudar a coleção de cd's e repertório musical, e ter um comportamento mundano em várias outras áreas de nossa vida.

Todavia não podemos generalizar. Não são todos que agem desta forma. Tenho amigos pastores e obreiros, que mesmo sendo defensores das doutrinas de suas igrejas, são pessoas sensatas, honestas, que respeitam as outras denominações, e até eles mesmo admitem que se deve ter uma certa moderação em querer "doutrinar" e julgar os outros. Isso porque já pesquisaram, e sabem da história de suas igrejas, das doutrinas antigas, ensinadas rigorosamente por mais de 30 anos, e que hoje não vigoram mais.

E não é porque a "igreja esfriou" ou porque é o "fim dos tempos". Beber refrigerantes, usar shampoo, usar sandálias, andar de moto, comer pipoca, usar calça jeans, usar camisa de manga curta, não está associada ao fim da santidade na igreja, pois nem eles pregam mais nenhuma destas proibições. Porém nossos avós seguiram à risca, e ficaram sujeitos a disciplina, caso não obedecessem. Em algumas denominações, nos anos 1930, se o homem andasse sem o chapéu, era excluído de comunhão. Onde foram parar estas “doutrinas”? Não eram de Deus? E se eram, porque acabaram?? Se não eram de Deus, porque permaneceram por tanto tempo, suspendendo e excluindo irmãos? Uma pena ter se punido tanta gente. Ainda hoje esta história se repete em muitas igrejas, mas com outras proibições.

A palavra pecado origina-se do grego "hamartia" e significa errar o alvo. Se o meu alvo, que é Cristo, é desviado por alguma barreira, logo eu identifico o pecado. Uma música não evangélica te afasta da presença de Deus? Como? Porque?! É só explicar como isso acontece! Só porque se trata de uma "música do mundo"?! Responda: Você come comida "do mundo"? Usa roupas "do mundo"? Paletó e gravata são usados por políticos, executivos, funcionários de grandes empresas. Qual a diferença para o paletó e gravata dos cristãos? Muitas foram confeccionadas por estilistas e costureiros não-evangélicos. É uma vestimenta "do mundo"?!

Se você usa roupas sociais, no que você é "diferente do mundo"?? Há pessoas que colocam as melhores roupas, as mais caras, algumas justas demais (mesmo saias longas), para irem à igreja no domingo. Com que objetivo estas pessoas colocam estas roupas e vão ao culto?! Com um coração puro para adorar a Deus? Então é razoável concluir que, ser do mundo ou não, não está na aparência, na exteriorização das coisas, na música ou roupa ser feita por evangélicos ou não, mas naquilo que colocamos o nosso coração. "Onde estiver o seu tesouro, aí estará teu coração". (Mateus 6:21)

Muitos chegam a dizer que se "sentem mal" ao ouvirem "músicas do mundo", mas seus corações estão cheios de maldade, falsidade, que também são comportamentos "deste mundo". Com o que estas pessoas teriam que se "sentir mal" em primeiro lugar? Acredito que o cristão verdadeiro, transformado, faça uma melhor seleção das músicas que ouve, mas qual a preocupação primordial de um cristão verdadeiramente convertido? Mudar sua interpretação sobre o que é música gospel e música do mundo, e a mudança interior ficar em segundo plano? 

Não é estranho haver atitudes desonestas por parte de pessoas que se auto intitulam tão espirituais, que acham errado ouvir música secular, e exigem tanta "santidade"? A palavra santificação significa separação, e não isolamento ou alienação. A verdade é que estas palavras são confundidas. Já percebeu que filho de crente quando se desvia comete todo tipo de pecado em dobro, se comportando pior que um incrédulo?! Na verdade ele saiu de uma prisão religiosa, sufocado por um julgo, quando deveria ser livre em Cristo Jesus. 

Pense agora com toda a sinceridade de seu coração: Como pode Deus tocar profundamente numa pessoa para ela não ouvir sequer uma música não-evangélica, a ponto dela dizer que "se sente mal" e esta mesma pessoa mentir, caluniar, falar mal dos outros, fazer fofocas?! Não é a doutrina bíblica (que nos ensina a não mentir, a não falar mal do próximo) muito mais importante que dogmas e doutrinas de igreja?! Como pode um mesmo Deus, em uma mesma pessoa, tocar no coração dela em uma área que a Bíblia nada diz a respeito, mas em outra área, das atitudes, do comportamento, do ódio, da desavença, não tocar?! Como pode uma pessoa ser tão "santa" quanto a musicalidade, e ter um coração cheio de inveja, de desejo de vingança?
Para muitos falta respeito, compreensão, oração e diálogo em família.
Para o povo de Deus, o povo comprado, lavado e remido pelo Sangue de Jesus, não existe uma regra moral coletiva. Ao jovem rico Jesus disse para ele vender tudo o que tinha e dar aos pobres, pois sabia que o coração dele estava na riqueza. (Mateus 19:16-23) Mas o Senhor não disse a mesma coisa para outros ricos. Se o seu coração estiver na riqueza, em carros, casas, músicas, seja o que for, aí estas coisas se transformam em pecado na sua vida. Agora, para o povo de Deus existe sim, as Sagradas Escrituras, e nela devemos nos embasar contra o pecado, e não no que pregadores, convenções, igrejas, acham que é certo ou errado.

Quanto a proibições que a bíblia nada trata diretamente, o apóstolo Paulo nos dá um excelente conselho em Romanos 14:14, quando nos diz: "Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda". E no versículo 22 ainda acrescenta: "Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova".

Os dogmas religiosos mudam com o tempo, mas a Palavra de Deus não muda. A bíblia condena o pecado da glutonaria. Você vê pregadores abordando este assunto? O que tem de irmãos bem acima do peso não é brincadeira. Mas ninguém fala nada, não reprovam, não censuram, tanto quanto ver um cristão ouvindo uma música secular. Ou seja, nossa comunidade evangélica contemporânea vê pecado onde a bíblia nada diz, mas a religião proíbe, e onde a bíblia tanto condena (fofocas, glutonarias, invejas) nada pregam a respeito. Todos os dias pessoas se afastam de igrejas ofendidas, feridas, magoadas, por disse-me-disse, e tudo fica por isso mesmo. E a Palavra nos alerta que "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte". (Provérbios 18:19)

O Senhor Jesus nos ensina: "Não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai dela". (Mateus 15:11). Não é o que entra em nossos ouvidos que pode nos contaminar! O Senhor daria esta mesma resposta se a questão fosse a música, pois se tratava de um dogma, se podia ou não comer com as mãos por lavar, que era a doutrina deles na época. E os discípulos comeram sem lavar as mãos. Há muita superstição no meio evangélico. Podem não ser as mesmas dos que não são crentes, mas não deixam de ser superstições.

Atribui-se o pecado a fatores externos (lavar as mãos, ouvir uma música) e nunca aos propósitos que estão no pensamento, no íntimo. Por isso o Senhor completa: "Mas tudo o que sai da boca, vem do coração, e isto contamina o homem. Pois do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas coisas são as que contaminam o homem; porém o comer sem lavar as mãos não o contamina". (Mateus 15:18-20) E depois de todo este ensinamento maravilhoso, há pessoas que acham que uma música secular é que vai fazer a pessoa pecar!

E quando estamos em um shopping, consultório, e ali toca músicas não evangélicas, o que deveríamos fazer? Tapar os ouvidos?! Sair correndo dali? Não ouvimos do mesmo jeito?! Ainda que alguns contestem, afirmando que em lugares públicos não seria culpa do cristão, o fato é que o problema se relaciona a OUVIR e não ONDE ou de QUE MANEIRA. E como no texto já abordei anteriormente, reforço que o verdadeiro cristão sabe dosar, equilibrar, e que não é um viciado em músicas mundanas, e que também sabe selecionar boas músicas, separando daquelas com letras maliciosas, etc, assim como não pode ser dado a glutonaria.

A lista de dogmas de muitas de nossas igrejas nos anos 1920 a 1960 envergonha a igreja de hoje, e muitos até desconversam, dizendo desconhecedores de tais doutrinas. O perfume, o shampoo, o sabonete, o refrigerante, o chinelo, e outros usos e costumes que eram proibidos na época, hoje estão liberados, e não representam mais pecado nem para os mais legalistas."Mas e daí?" - questionam alguns. "-Esquece isso....Isso foi lá em 1950, 60.... Prá que falar nisso hoje? Isso é passado! Naquela época o povo era muito ignorante!"

Hoje muitos condenam quem ouve "músicas do mundo", ou seja, as músicas que não são evangélicas. Mesmo as mais simples, as mais suaves. Não me refiro as que tem letras maliciosas, mas as boas músicas. Se você ouve música não-evangélica, corre o risco de ser taxado de "crente-mundano", como os que usavam perfume em 1950. Com toda certeza, essa é mais uma doutrina que terá seu fim daqui a uns 20 anos. Mas em 2034, se alguém disser que hoje era reprovado o cristão que ouvia músicas não-evangélicas, alguém comentará: "-Poxa, mas já não tinham TV em casa? Não ouviam essas músicas nos filmes e comerciais...?" E outro responderá: "-E daí??....Isso foi lá em 2014...Prá que falar nisso hoje? Isso é passado!.... Esquece isso...Naquela época o povo era muito ignorante!"

"Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente". (Hebreus 13:8)

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne". (Colossenses 2: 20-23)

"Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão". (Salmo 32:9)

"Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas". (Marcos 7:1-8)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.

Como não olhar para "as coisas deste mundo".


Nestes poucos 29 anos que tenho de evangélico, costumo observar o comportamento cristão, focado principalmente em nosso amado povo evangélico, não somente como um crítico, mas numa avaliação para o meu próprio crescimento. Peço ao Senhor, em minhas orações, que o que escrevo sirva em primeiro lugar para me fazer aprender mais, me fazer exercitar, como Paulo diz, no "exercício da salvação". Por vezes somos pegos por pensamentos em que "cobramos" de Deus algum castigo para tamanho 'pecado' da sociedade moderna. Nos esquecemos da liberdade de escolha que o Criador deu a estas pessoas, assim como nós usamos dela antes de conhecermos o caminho da salvação. Muitos dos nossos irmãos, que outrora também eram parte do "mundanismo", apregoam o desejo de um castigo terrível sobre os que não querem nada com a igreja. E de tanto ouvirmos este tipo de pregação, aprendemos um evangelho punitivo, de um Deus que está pronto a castigar mediante qualquer erro que passe diante dos seus olhos. Não toleramos o pecado alheio, ao mesmo tempo que requeremos uma profunda compreensão referente aos nossos pecados. Quanto aos pecados das outras pessoas, pensamos ser os "fiscais" de Deus.

Como assistimos a todo momento transgressões terríveis no mundo, nos frustramos por não vermos um castigo imediato sobre os transgressores, como são relatados nas pregações em nossas igrejas. Até pecamos no pensamento, em cobrar do Senhor uma "mão pesada" sobre os inimigos da obra de Deus. Muitos chegam mesmo a amaldiçoar, desejando que algo de bem ruim venha a ocorrer na vida de algum desafeto. Não há, em seu coração, algum estímulo pela misericórdia, perdão, compreensão, para o pecador, como se este fosse o seu filho. Sempre que as acusações são dirigidas para as outras pessoas, há uma enorme facilidade em conclusões e condenações nos fatos que ouvimos alguém dizer. Quando acusações são sobre algum de nossos ente-queridos, ou alguém que prezamos, tentamos a todo custo explicar que "não foi bem assim".

Não é de hoje que a religiosidade desvia o foco do perdão, da redenção, para uma rigorosa cobrança por santidade. São tantos sermões com cobranças sobre como o cristão deve "andar", que se cria um estereótipo de crente verdadeiro, longe das "coisas do mundo", e que repudia a todo comportamento que não venha a se adequar aos dogmas que, na visão legalista, evidenciam a "santidade". Cada um cria em sua mente a imagem de um super-crente que vence a tudo e a todo tipo de inimigo, que não respeita a nenhuma outra opinião, e que os outros não sabem nada do que ele sabe sobre santidade, e começa a se espelhar nesta imagem. E inicia esta jornada pela pior parte: criticando, condenando, e se dirigindo aos outros com arrogância, sentindo-se na posição de um ícone da pureza cristã. Nem o Senhor Jesus se colocou em tal posição diante da mulher adúltera que seria morta a pedradas em João 8. Um pouco mais de conhecimento bíblico para perceber que seu comportamento é fruto apenas de uma imaturidade cristã.

Todos os dias inúmeras igrejas, com diferentes nomes, são inauguradas, afirmando serem os "resgatadores" da verdadeira sã doutrina, perdida na denominação de onde saíram. Para estes, fundadores de uma igreja "mais pura", as outras igrejas estão afundadas no "esgoto do mundanismo", mas que, segundo eles, Deus os levantou para mostrarem a todos nós como o crente deve ser. Um raciocínio pífio, infantil, que, quando não é orquestrado por algum espertalhão, mau caráter, com certeza é fundado por alguém que leva meia hora para conseguir ler um versículo, não sabe e nunca soube o que é um estudo bíblico, porque para ele estas coisas são "a letra que mata". (Detalhe: a letra da Palavra de Deus não pode "matar" ninguém. Paulo se referia, em 2º Coríntios 3:6, a letra da lei). O próprio Jesus advertiu: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam". (João 5:39)Os cultos neste lugares, tem muito pouco conteúdo na Palavra, e são seguidos de gritarias e advertências de que há um "mistério ali no meio da igreja". Com isso, se alguém duvidar da autenticidade do culto, logo a intimidação causa temor, pois é proibido pensar. Uma tática antiga, mas que funciona e manipula os incautos.

O mais engraçado é que quando um pastor toma uma posição CONTRA os usos e costumes de algumas denominações, qualquer falha dele o condena como um todo! Não há alívio. Não é exemplo de vida e acabou. Agora, os pastores, que são radicais, estes podem mentir, fazer fofoca, cair em adultério, comprar e não pagar, passar cheques sem fundos, enfim, fazer um monte de sujeiras, e quando se fala deles, aparece um pra dizer: "-Não fale isso, irmão...o homem é falho...não olhe para o homem (o pastor)...olhe para Jesus". Ora, porque usar de uma argumentação, num claro intuito de se defender uma determinada pessoa (o legalista), e este mesmo argumento não pode servir para o não-legalista? E outra: este conselho de "não olhar" para o "homem" é uma falácia para não se questionar os deslizes da liderança. Ou do contrário, se é para se olhar somente para Jesuso que ele faz ali como pastor?? O mesmo conselho alguns destes líderes parecem não seguir, quando se desligam de seus ministérios e fundam uma nova igreja. E em suas reuniões internas, as portas fechadas, eles não pensam em "não olhar para o ser humano". Descem a lenha, punem, excluem, quem ousar atrapalhar os seus interesses.

Um dos grandes problemas do pensamento legalista, é que não há, na visão que lhes foi passada sobre santidade, um meio termo no que diz respeito a decência. É o raciocínio radical do "ou é 8 ou é 80". Ou a mulher usa a saia, ou é prostituta. Nunca lhes serve de exemplo uma calça-comprida decente, como visto nas irmãs de igrejas que não não pregam "doutrinas" de usos e costumes. Alguns chegam a dizer que jamais visitariam as igrejas onde "todo mundo anda pelado". Esta é uma afirmação com um grau enorme de estupidez, pois podemos visitar inúmeras igrejas evangélicas que não são rigorosas quanto as vestes, e nem por isso os membros andam "pelados". Em nossa igreja, pessoas abandonam vícios, de lugares ou atitudes, sem precisar estar proibindo, com o risco de disciplina, suspensão, exclusão. E vemos estas pessoas sendo transformadas, libertas, e se tornarem uma bênção.

Quando uma liderança investe num posicionamento radical, no que diz respeito a santidade nas vestes, muitas vezes ela não tem noção de como isso é levado a sério pela membresia. As pregações contra o mundanismo alimentam a ideia de que o pastor e o ministério são radicalmente contra a quem não se adapta aos seus usos e costumes, que são, na visão deles, o referencial da santidade do cristão verdadeiro. Em alguns sermões, reuniões para novos-convertidos, e "cultos de doutrina", o pastor ou instrutor insiste em deixar claro que o crente deve ser "diferente". Esta diferença, porém, não trata do caráter, virtudes, bom comportamento, lealdade na palavra, mas da exteriorização da santidade. É a imensa força que algumas igrejas fazem para converter as pessoas de fora para dentro. Se esta diferença pregada por muitos destes estivessem nos âmbitos da decência, e fugindo do que a moda contemporânea impõe pela mídia, poderia ser melhor entendido como uma posição da igreja fora dos padrões realmente mundanos, e que devemos mesmo apregoar a santificação para aqueles que querem se santificar. Mas vai muito além disso. São regras e posicionamentos impostos, e visto até como uma "libertação". É a demonização da mulher que usa uma calça-comprida (mesmo que seja mais decente que algumas saias e vestidos justas no corpo), que usar uma maquiagem leve, brincos, ou o homem usar bermuda e camiseta. 

Toda essa credibilidade da igreja na postura radical do líder cai por terra, quando o pastor recepciona pessoas que são tidas como importantes na sociedade, figuras na política, esposa de políticos, e estas são recebidas em cima de seus púlpitos, e mesmos que elas não estejam dentro da "doutrina" da igreja, o pastor as abraça, e ainda as chama de "bênçãos" que Deus enviou ali. Uma bajulação no intuito de manterem a simpatia e o bom relacionamento com as pessoas de valor deste mundo. Com esta atitude, a indignação e revolta toma conta de muitos membros e obreiros, e a chamada "murmuração" (nome dado por alguns líderes aos questionamentos) assola a congregação. O líder se vê em "patas de aranha" para explicar o deslize de colocar uma mulher de calça no púlpito, esposa de algum deputado, prefeito, ou vereador, se ele mesmo prega que todas as outras mulheres que usam calça estão endemoniadas, possessas pelo espírito da sensualidade, e precisam ser "libertas". 

Respeito a todas as igrejas que mantém suas normas, seus estatutos internos. Tenho inúmeros amigos pastores em muitas destas igrejas, e eles gostam de dialogar comigo, porque debato assuntos e não pessoas. Não apelo para acusações pessoais no intuito de ganhar discussão, ou querer ser melhor que os outros. Meu posicionamento é sincero, e meu diálogo é centrado na Palavra de Deus. No fim da conversa até estes pastores amigos admitem que precisa haver um equilíbrio em cobranças por "santidade nas vestes" para não adentrar o caminho do fanatismo. Alguns chegam até admitir que nada disso tem ligação com santidade, mas que tem o receio de duas coisas: 1 - Perder do rol de membros os mais antigos; 2 - Perder os jovens do controle, e estes irem para outras igrejas. Tudo isso poderia ser resolvido, com muito estudo bíblico e amor sincero no corpo da igreja. E mesmo que alguns antigos viessem a se desligar alegando "falta de doutrina", perde-se por ano muito mais ovelhas por demagogia e hipocrisia por parte destes próprios radicais. 

E uma característica que só é percebida por pesquisadores neste tipo de igreja, é que muitas proibições tornam-se obsoletas a cada 20 anos. Uma enorme lista de "podes" e "não-podes" são esquecidas e junto com elas também são esquecidas o número de pessoas que foram advertidas, humilhadas em público, exortadas, suspensas, excluídas, por dogmas que hoje não fazem parte de nenhuma igreja, por mais severa que seja. Algumas igrejas proibiam usar shampoo; perfume; sabonete; beber refrigerantes; usar sandálias; mascar chiclete; comer pimenta; ir a alguma festa de aniversário de um não-crente (mesmo que fosse seu familiar); usar somente roupa social e camisas com mangas fechadas nos pulsos; uso obrigatório do chapéu ao homem, chegando a suspensão e exclusão em caso de desobediência. E hoje, nenhuma destas proibições vigoram mais. Azar de quem quis ser crente naquela época, ao menos neste tipo de denominação religiosa. Um senhor, que está em nossa igreja, foi expulso da denominação que fazia parte, nos anos 1970, porque tinha em casa uma tv preto e branco. Na época o pastor e o ministério disse que ele queria ver "as coisas deste mundo". Nos anos 1980 a tal igreja de onde ele fora excluído liberou a televisão. O pastor comprou a sua tv - e colorida! Os vizinhos, e a cidade em geral, comentou: "Agora o pastor pode ver as coisas deste mundo. E a cores!!!"

Muitas igrejas já proibiram muitas coisas em nome da "santidade", o que só impediu de mais almas virem para o caminho de Cristo. Só atrapalhou a pescaria de almas. Só excluiu milhares e milhares de almas. O exclusivismo religioso é uma mancha terrível na história de muitas igrejas evangélicas, e algumas, até hoje, cometem o mesmo erro. Alguns chegam a afirmar: "-Ninguém é obrigado a ficar na igreja rígida...basta ir congregar em outra igreja". Não funciona assim com os filhos que são jovens e adolescentes. Os filhos dos crentes que são membros destas denominações, não podem atender aos convites de passeio da escola, encontrar com os amigos na praia, ou em algum outro lugar de lazer, pois estariam fazendo "a vontade do demônio". E não podem, muito menos, mudar de igreja, pois estão sob a tutela dos pais. Há alguns pais que chegam a conseguir, por meio de contatos, amigos, algum "atestado médico" para tirar os filhos das aulas de educação física da escola, e não ter que usar vestes mundanas. Ou seja: mentir não é pecado, com falsos atestados, mas usar bermuda e camiseta é um pecado terrível.

Uma pena muitas igrejas de décadas passadas terem proibido ter televisão em casa, numa época de poucos canais, e se tivesse apenas 5 minutos em algum, quantas e quantas almas não poderiam ser alcançadas?! E atualmente, com inúmeros canais, com tanta coisa pior que aquela época que passa, liberam assistir tv, e dão de ombro, como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivessem proibido nada. É triste saber que ainda hoje algumas denominações ainda tem em suas igrejas normas que são apregoadas como regras de salvação, e que, ao se referirem as outras denominações evangélicas, usam adjetivações pejorativas, como "portas-largas", igrejas "mundanistas", do diabo, e que todos os outros irão para o inferno, e somente eles alcançarão o céu. Regras que daqui a 20 anos mudam, como o camaleão que muda de cor, e que serviram para aumentar disciplinas, exclusões e apostasia.

Antes de ser pastor fiquei por cinco anos em um ministério como missionário. Ajudei a organizar reuniões, evangelismo, campanhas, etc. Com o tempo percebi que a igreja fugiu aos antigos propósitos e transformou o púlpito em palanque político (nessa época aconteceu muito isso em várias igrejas) e resolvi me afastar por não concordar com aquilo. Na minha opinião igreja é lugar de se apregoar o evangelho. E quase todo culto acontecia o mesmo. Quando o pastor percebeu que eu iria sair do ministério, organizou uma reunião para solicitar aos ministros que espalhassem o boato (com familiares, amigos, ou quem perguntasse por mim) que eu estava "em pecado"Isso porque ele tinha o grande receio da minha saída resultasse na abertura de uma nova igreja, concorrendo com a dele. Isso foi o que ele fez quando saiu do ministério que fazia parte, e como o bom julgador por si mesmo julga os outros, tinha medo que eu fizesse o mesmo com ele. E a sua genial ideia foi espalhar que eu teria cometido algum grave pecado, uma suposta "queda", e por isso eu havia me afastado dos cultos. Uma atitude que é, no mínimo, mundana, leviana.

Um dos obreiros, um evangelista, se opôs a espalhar o tal boato a meu respeito, e interrogou ao pastor se havia realmente a certeza que eu havia caído em pecado. O pastor disse que não era assunto a ser questionado, mas apenas obedecido. Mais uns dois obreiros também discordaram e sugeriram ao pastor uma reunião com a minha presença para se ter certeza do que havia acontecido comigo. Rapidamente o pastor optou aos obreiros "esquecerem aquilo". Mas deixou a ordem de não me colocarem para pregar em nenhuma das congregações.

Não estava mais em meus planos visitar nenhuma das igrejas deste ministério, assim como não tinha projetos de abrir igreja, muito menos próximo a dele. E nem de ficar "pescando em aquário dos outros", seu maior medo. As vezes fico sem entender como alguns pastores, pessoas que já tiveram grandes experiências, receberam bênçãos, sabem do que Deus pode fazer  quando oramos e cremos, e agem de má fé, caluniam, são mentirosos, tem atitudes mundanas, em que muitas vezes um incrédulo seria mais honesto e ético do que ele. Lamentável.

A bíblia nos orienta que a árvore se conhece pelos seus frutos, e não pelas suas folhas. Aparentemente uma pessoa pode estar bem vestida, mas o seu coração só Deus conhece. Assim algumas igrejas rígidas, com doutrinas rigorosas de roupas, consagram diariamente inúmeras pessoas a cargos eclesiásticos, que se vestem socialmente, obedecem as normas da igreja, mas são pessoas despreparadas, imaturas, sem nenhuma experiência, expressam suas frustrações todas no altar, aos berros no microfone da igreja, apregoam a moral e bons costumes, mas cheios de inveja, disputa de obreiros, etc. Não são todas as igrejas rígidas que agem assim. Há muitas igrejas sérias e muitos pastores íntegros. Porém, vivemos em uma época em que muitas igrejas precisam ser evangelizadas!

"O homem de Belial, o homem vicioso, anda em perversidade de boca. Acena com os 
olhos, fala com os pés, faz sinais com os dedos. Perversidade há no seu coração; 
todo o tempo maquina mal; anda semeando contendas"(Provérbios 6:12-14)

Denis de Oliveira é Pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.