Mente vazia é oficina do pastor.

Antes de criticar, de escrever a sua opinião, por favor leia o artigo até o final. E quando opinar, não escreva ataques pessoais, mas refute dentro do assunto. Mesmo que você não concorde comigo, eu não censuro os comentários, como você pode conferir nos outros artigos. Escrevo isso logo de início porque algumas pessoas, que tenho certeza que não leram todo o artigo, escrevem coisas absurdas, como: "O sr é contra os pastores?", "O sr prega a desobediência?", e outras afirmações ridículas, que só aumentam a minha certeza de que, quando realmente nos aprofundamos na Palavra de Deus, nos libertamos do religiosismo hipócrita que muitas pessoas vivem. 

Não nos tornamos rebeldes e nem insubmissos, mas obedientes ao pastor sob a luz das Sagradas Escrituras. Porque até a sua obediência tem que estar respaldada na Palavra de Deus. Os cristãos de Beréia, em Atos 17:11, são um exemplo deste comportamento vigilante. Antes de dizerem "amém" a tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e depois concordavam. E a bíblia nos diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica! Isso mesmo! Porque receberam a palavra, diferente dos que eram de Tessalônica. Veja:

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim". (Atos 17:11)

Imagine se eu fosse "contra os pastores", como alguns pensam. Ora, eu também sou pastor! Como eu pregaria algo contra mim?! Por isso, quem escreve um absurdo deste, não leu, ou nunca foi atencioso com os textos que escrevo. Evito inclusive usar palavras difíceis, para democratizar a compreensão, sejam os leitores irmãos de formação superior, ou os que apenas aprenderam a ler e escrever. Por isso o meu site tem um número imenso de visitas, e, óbvio, torna-se um incômodo para os que controlam a membresia da igreja sob pretexto de "santidade" e "submissão pastoral". 

O título do artigo chama a atenção, pois popularmente se diz que "mente vazia é oficina do diabo". Não tenho o propósito de comparar a figura do pastor com o diabo. Por mais que um líder tenha defeitos, o pastor verdadeiro, que tem compromisso com Deus, sofre muita perseguição. Quem tem experiência sabe do que estou falando. Não escrevo isso com intuito de não parecer tão crítico no texto. Tenho muitos amigos pastores que concordam com o que escrevo. 

Agora pergunto ao amado leitor: Será somente o diabo que faz da mente humana uma "oficina" quando esta se encontra "vazia"? Porque se eu atribuo ao diabo toda sorte de males, então no dia do Juízo Final será somente o inimigo de nossas almas que prestará contas?! Ninguém fez nada? Ninguém tem culpa?? 

O profeta Jeremias não inocenta os que dispersam as ovelhas do Senhor. "Ai dos pastores que dispersam as minhas ovelhas". (Jeremias 23:1) Em outro artigo deixei claro que a obediência cega é fruto de manipulações humanas, com pouco ensino bíblico, característico na maioria das seitas diabólicas. O líder é visto como um ser muito superior, um escolhido especial, e o que ele falar é "Deus falando", independente de estar ou não de acordo com as Escrituras Sagradas.

“Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:8)

No versículo acima citado, o apóstolo Paulo, em sua carta aos gálatas, adverte que, ainda que ELE MESMO, ou até um anjo do céu, viesse para pregar um "outro evangelho", que seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. O sujeito pregou, seja quem for (lembre-se: até um anjo do céu) e está fora das Escrituras, você já não lhe deve nenhuma obediência! O que acontece em alguns círculos religiosos é que o líder pula, sapateia, fala línguas estranhas, faz muito barulho, e o povo logo acha que este homem é "Deus puro" falando, que ele está acima de qualquer suspeita. 

O que todo cristão deveria entender é que, mesmo que um pastor, pregador ou profeta, entregue mil revelações, e todas elas se cumpram; mesmo que ele ore e vários mortos ressuscitem na mesma hora, ainda assim ele não deixará de ser um homem, falho, com defeitos, errante, capaz de cometer pecados gravíssimos, como qualquer outro ser humano. Mas essa associação é difícil, principalmente quando o líder é do estilo "fogo puro". E pregar isso que eu escrevo é praticamente um pecado para muitos, sob pena de "Deus pesar a mão" por estar cometendo o gravíssimo pecado de "tocar o ungido de Deus", no caso, o pastor. 

Quando eu ainda era apenas membro, ficava repreendendo os maus pensamentos, quando me vinham questionamentos sobre algumas burocracias da igreja. Chegava a suspeitar que o demônio controlava a minha mente com perguntas que eu não deveria fazer! Uma pena, mas é exatamente assim que milhares e milhares de cristãos pensam, quando suspeitam do líder estar em desacordo com a Palavra de Deus.

Existem crentes rebeldes e desobedientes? Com certeza que existem! Não querem compromisso com o Reino de Deus, e percebemos isso em pessoas complicadas, que não param em lugar nenhum. Ficam 3 meses em uma igreja, e logo acham "problemas", e o pastor já não presta. Muito diferente de um cristão fiel, que questiona algum posicionamento da liderança. Todo pastor que se preza sabe que ele nunca conseguirá 100% de unanimidade com todos os membros da congregação. Sempre há aqueles que discordam de alguma coisa. 

A própria Escritura nos relata um desacordo entre Paulo e Barnabé, relatado nas palavras bíblicas, uma "não pequena discussão" entre os dois. (Atos 15) Foi um para cada lado, mas nem por isso um deles deixou de ser homem de Deus! Perguntar, desejar um esclarecimento, discordar, não é e nunca foi pecado, desde que este não seja acompanhado de um sentimento de inveja, ódio e desejo de arrumar confusão. Ser um cristão obediente não é sinônimo de suicídio mental. O senso crítico sempre existirá, mesmo quando estamos cultuando, na presença de Deus, consagrando, jejuando, etc.

O raciocínio crítico só é intimidado em virtude das ameaças de púlpito, como, por exemplo, o pastor soltar, no meio de suas exortações, um alto e sonoro "E ai de quem se levantar contra esta obra!" Resumindo, em poucas palavras, ele quis dizer "ai de quem se levantar contra as decisões dele". Ora, quem, sendo cristão, vai se "levantar contra a obra de Deus"?? Quando alguém questiona a liderança eclesiástica, ela se dirige a postura e decisões humanas referentes à igreja no sentido da denominação religiosa, e não no sentido espiritual. 

O membro que discorda das decisões do pastor, nunca sofre castigo divino, mas sim, retaliações da liderança, sendo boicotado das oportunidades no microfone e outras atividades na igreja. Esta e outras formas de constranger as pessoas quase sempre são pregadas porque ele, o pastor, sabe que no íntimo qualquer ser humano em sã consciência se pergunta se não há algo de errado na administração do templo. Como ele tem um grande receio de que a dúvida de um desperte outros, e aglomere mais irmãos que questionem seus posicionamentos, ele rapidamente saca do bolso e solta estas pérolas de sua retórica manipuladora. 

O que surpreende é que muitos pastores não vivem esta pseudo-ingenuidade que eles tanto cobram dos membros. Todos as suas decisões, gastos e investimentos são calculados, bem longe das reuniões de orações. Locação ou compra de um imóvel, compra de veículo, etc, ele o faz desconfiando da própria sombra. Se você tentar, por exemplo, vender um carro ou um terreno a um pastor deste, o interrogatório que ele faz é tanto, que você desiste de fazer negócio. Ou seja, ele não tem nenhuma credibilidade no que você diz. De contrapartida, ele apregoa na igreja que você pode e deve confiar no pastor. Acredito até que devemos ter mesmo muito cuidado na hora de fazer negócios. Mas este tipo de líder não aceita que você duvide dele a metade do que ele suspeita de você. Ele é ele, e você é você!
Jim Jones: Teocracia humana
e suicídio coletivo.
Vou citar um exemplo, um fato extremo e de raro acontecimento no meio cristão, o caso do pastor Jim Jones. Em Jonestown, no ano de 1978, Jim Jones levou 900 pessoas que o seguiam a tomarem veneno, dizendo ser esta uma "ordem de Deus". E, infelizmente, todos eles obedeceram. Menos o pastor, claro, que logo depois foi morto. Todos os seus seguidores acreditaram que, cometendo aquele bárbaro suicídio coletivo, estariam fazendo a "vontade de Deus". Se você pensa que nunca iria obedecer a uma ordem como esta, é porque não conhece a forma como as pessoas são conduzidas a este tipo de atitude. Não foi de um dia para outro que ele ordenou o suicídio a estas quase mil pessoas. Imagine que no meio de tantos adeptos não haviam aqueles que duvidavam das ideias malucas do pastor Jim Jones. Com certeza que haviam! E muitas pessoas iniciam na religião duvidando de muita coisa. Mas com o tempo, a falácia nas reuniões, somadas as ameaças de castigo divino aos "incrédulos", aprisionam a mente humana de uma forma impressionante. Deixo claro ao amado leitor, que este exemplo é um dos raros casos de extremo fanatismo. Suicídios, anúncios de datas de fim de mundo, quando surgem no meio de uma denominação evangélica, esta já está muito distante dos ensinos da Palavra de Deus. Resolvi relatar este fato, não com o objetivo de denegrir a figura pastoral, mas de podermos refletir sobre como muitas outras coisas, mesmo que não tão graves como este, podem ser ensinadas e ordenadas erroneamente no seio da igreja. 

O fanatismo, a crença cega na teocracia humana, alcança um nível que, se você questionar, ou apenas duvidar do líder, e um dos adeptos for seu amigo, este se transformará em seu pior inimigo! A mente está dominada de uma forma quase irreversível. Tentar fazer uma pessoa assim a pensar de forma imparcial e crítica sobre a sua crença, igreja ou líder, é complicadíssimo, e gera uma discussão quase sem fim. 

A maioria destas pessoas receberam alguma bênção durante o culto (que veio de Deus, e não do homem) e o pastor, automaticamente, torna-se um ídolo. Este tipo de crente até prega que a 'glória' deve ser somente para Deus, mas defende o pastor a unhas e dentes. Daí a razão de dificilmente ele desconfiar do querido líder que lhe impôs as mãos, e ele foi curado, liberto, etc. Mesmo que chegue aos seus ouvidos que o pastor cometeu algum erro, para ele isso não passará de um pequeno deslize, sem nenhuma gravidade. 

Até o dia em que este deslize se confrontar com ele, ou uma "bomba" estourar, revelando adultérios e outros pecados ocultos do líder. Quando este membro, que tinha o pastor como o "santo homem de Deus", se decepciona, cai numa profunda depressão, apostata da fé, e dificilmente irá para alguma outra igreja. Torna-se um ateu sem assumir publicamente. A sua fé estava mais no homem do que em Deus.

Quando falo de "mente vazia", não me refiro a estar de férias, descansar um fim de semana, viajar, sem estar no ofício de seu trabalho. Há um enorme equívoco na interpretação desta ociosidade da mente humana. Me refiro ao crente que não gosta de meditar na Palavra de Deus, lê muito pouco a bíblia, que vive de 'caixinha de promessa', como se a Escritura fosse um mero sorteio de mensagens bíblicas. Seus pensamentos sobre o que é ser cristão variam entre achismos e pregações aleatórias que ele ouve aqui e ali. 

 Afirma que não gosta de teologia, mas a sua mente é impregnada de raciocínios humanos sobre o que é santificação, igreja, pecado, o que dá no mesmo, só que pior: andando na contramão das Sagradas Escrituras. Em alguns casos nem o pastor tem culpa do que determinados tipos de membros colocam na cabeça. Alguns criam uma fantasia espiritual, que ele tem um segredo ultra-secreto com Deus, que ninguém está capacitado a entender o "mistério" que Deus tem na vida dele. Nem o pastor! É tão "profundo" que nem ele entende. E nunca vai entender! 

Este é o típico desobediente, pois o pastor solicita que ele não falte a Escola Bíblica Dominical, ou reunião de estudo, e este crente quase nunca aparece. Equivocado e imaturo, sempre afirma que "a obra que Deus tem na vida dele é diferente", e conclui que não precisa aprender igual aos outros. Quase sempre faz isso espelhando-se em outros "meninos da fé", que se sentem estrelas pentecostais em vigílias e reuniões "de fogo", onde os glórias e aleluias funcionam como aplausos as frases de efeito, versículos isolados, jargões pentecostais, e outros devaneios explanados aos gritos no microfone.

Uma das coisas que me deixa indignado são pregações patéticas que tem, em seu conteúdo, terceiras intenções, no que diz respeito a "segurar" pessoas na igreja. Quando um determinado tipo de pastor percebe que não está sendo "obedecido" por um certo número de membros, sermões flamejantes (com uma suposta "revelação" adequada ao problema) são disparados do púlpito, do tipo: "A árvore vai balançar e os frutos podres vão cair...fiquem ligados, irmãos..."  Traduzindo: quem saiu, inconformado com as diretrizes do pastor, é porque era fruto podre, não prestava. Mas quem ficou, passivo aos caprichos do 'coronel', mesmo que discordando as escondidas, é fruto bom, porque permaneceu na igreja. Um sermão muito conveniente para quem gosta de controlar o povão. 

Me impressiona como alguns pastores chegam a dizer, em conversas particulares, que o povo precisa ser tratado com "dureza", ou do contrário não se submetem as ordens pastorais. Discordo completamente, como ainda tenho comigo o conselho do salmista, quando diz: "Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão". (Salmos 32:9) 

Muito ao contrário dos valores de alguns líderes contemporâneos, a Bíblia Sagrada nos ensina uma independência e liberdade em Cristo, para fazermos a obra de Deus sem estarmos debaixo do jugo do homem. Isso nos é claramente mostrado quando Jesus não se agregou a mercenários, denunciando os vendilhões do templo, cujo os únicos motivos de estarem ali era pelo dinheiro. Quando desmascarou os escribas fariseus hipócritas, que pensavam servir a Deus com suas vestes talares, e Jesus os chamou de sepulcros caiados. Se somos convidados pelo apóstolo Paulo a sermos "imitadores" de Cristo (1º Coríntios 11:1), então a nossa indignação contra aquilo que está errado não pode ser comparada ao pecado de rebeldia ou desobediência. Se pregamos contra o pecado para aqueles que são do mundo e não conhecem a verdade, muito mais para aqueles que a conhecem, não?!

Numa ocasião, quando eu ainda era missionário, fui convidado a pregar em uma igreja. Lá eu via muitas pessoas chegando, e o pastor observava a cada uma, sentado do púlpito. Num dado momento, chegou um visitante e estacionou o carro do outro lado da rua. Ele desceu do púlpito e foi correndo abraça-lo. Pensei se tratar de alguém que ele esperava, um parente. Mas não. Sequer o conhecia! Quando voltou, percebendo que fiquei olhando, ele falou ao pé do meu ouvido: "-Visitantes assim a gente tem que recepcionar bem...para voltarem sempre!" Mas e os outros? - pensei comigo. Aqueles inúmeros irmãos, que chegam a pé, não tem tanto valor quanto o irmão que chega balançando a chave do carro?! 

Nesta igreja onde fui, qualquer irmão de maior poder aquisitivo rapidamente era consagrado ao diaconato e presbitério, quando outros, mais humildes, esperavam a anos um dia poder ser do ministério. Ao encerrar o culto, este pastor, na maior cara-de-pau, me convida a sair do meu ministério, e mudar para o dele. Respondi que até então eu me sentia muito bem onde eu estava. Querendo admitir ou não, a grande maioria dos evangélicos sabe que esta é uma realidade em várias igrejas.

Infelizmente vivemos numa época em que muitas igrejas precisam ser evangelizadas! Vê-se muito corporativismo religioso, porém pouco amor ao próximo. Pessoas são valorizadas, não por aquilo que elas são, mas por aquilo que elas tem. Onde está o amor ágape, que está acima de todas estas coisas?! Qual o sentido de ser cristão, "diferente do mundo", se as nossas atitudes não nos identificar como noiva de Cristo?! 

Se agimos, em termos de valores sociais, igual ao mundo, qual a diferença da igreja com aqueles que não servem a Deus?! Se confessamos a Cristo como nosso Salvador, se anunciamos o evangelho da salvação que transforma o ser humano em uma "nova criatura", se nos vestimos como crentes, se falamos e usamos vocabulário de crente, onde está a identidade de Servo e imitador do Mestre, quando destratamos um irmão por ele não ter um carro do ano, não morar na zona sul, e não dar um dízimo alto?! 

Será que este comportamento irá passar desapercebido aos olhos do Senhor pelo fato de estarmos dentro da igreja todos os dias, presente em todos os cultos?? A Palavra de Deus, a Espada do Espírito, nos dá excelentes respostas!



"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade". (Mateus 7:22)

"Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido, e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés, não fazeis, porventura, distinção entre vós mesmos e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos? Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores". 
(Tiago 2:2-4,9)


"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade. Nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho".
(1º Pedro 5:2,3)


Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.


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Testemunho: Deixou de ser travesti, casou, e é pai de um filho!!!

Ele foi travesti dos 14 aos 
26 anos, mas hoje é casado com 
uma mulher e tem um filho

É possível fazer alguém deixar de ser gay? O assunto é polêmico e gera debates acalorados até na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde está está sendo discutido o projeto de decreto legislativo 234/11, conhecido como projeto de ‘cura' dos homossexuais. Para a maioria dos especialistas, essa mudança é impossível. Não é o que pensa o pastor Joide Miranda, de 47 anos. O religioso mora em Cuiabá (MT) com a esposa Edna, com quem se relaciona há 17 anos, e seu filho Pedro, de 1 ano e 9 meses. O religioso fundou a ABexLGBTT (Associação Brasileira de Ex-LGBTTs), entidade que, segundo ele, ajuda as pessoas que desejam deixar voluntariamente o "estado da homossexualidade".

Aos 12 anos, Joide assumiu sua homossexualidade; aos 14, virou travesti; aos 21, foi viver uma relação homoafetiva com um italiano e, aos 26, deixou tudo para trás após virar evangélico. Hoje, diz estar 100% restaurado na sua identidade heterossexual. O pastor esteve no Rio para pregar em uma igreja evangélica em Marechal Hermes, na Zona Norte.

"A homossexualidade é uma conduta aprendida. Deus restaurou minha identidade e, quando ele faz isso, não há força maligna que faça voltar atrás", diz Joide, que ensina: "A pessoa precisa substituir aqueles desejos, comportamentos, amizades e a forma de falar. Tem que encher a mente com as coisas de Deus".

Resolução do Conselho Federal de Psicologia proíbe tratar a homossexualidade como transtorno, e a Organização Mundial de Saúde já decretou que ser gay não é doença. 

Mas o pastor defende que as pessoas que querem deixar o "estado da homossexualidade" precisam de acompanhamento espiritual e psicológico.

Morre o pastor Custódio Rangel, presidente da Adhonep

Foto Divulgação/Portal do Crente
A Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno divulgou em seu site a informação de que o pastor Custódio Rangel Pires, presidente da instituição, faleceu na noite da última terça-feira (3) e o velório acontecerá no início da tarde desta quarta-feira (4) na Sede do Centro Evangelístico em Icaraí, em Niterói. 

Considerado como um dos maiores empresário do país, Pires também era um pastor evangélico que continuava atuando mesmo com 90 anos, idade completada no mês de março.

O sepultamento está marcado para acontecer no dia 5 de julho, quinta-feira, às 10h no Cemitério Parque da Colina, no bairro de Pendotiba, também na cidade de Niterói. Milhares de pessoas serão esperadas para dar adeus ao líder da ADHONEP.

No site do Centro Evangélico Internacional há destaque para a forma como o pastor Custódio Rangel ganhou almas para Jesus e como abriu salões e construiu igrejas. Além disso, ele também se tornou escritor lançando livros de muito sucesso como “Fidelidade traz sucesso” e “O melhor negócio do mundo”.


"Jesus é o meu único e suficiente salvador", diz jogador Léo Moura ao ser batizado nas águas

Foto: Vitor Machado / Agência O Dia
O jogador de futebol Leonardo Moura se batizou neste sábado (23) pela Igreja Batista, em um sítio em Pedra de Guaratiba (RJ). O lateral do Flamengo afirmou ter entregue a sua vida nas mãos de Deus.

“Foram 33 anos da vida antiga e daqui para frente é uma vida nova. Espero que seja melhor do que antes. Não posso reclamar da minha vida antes da Igreja, mas espero que daqui por diante seja melhor, junto à minha família”, disse Léo Moura, logo após o batismo.

Ele também acredita na renovação de seu contrato com o Flamengo, onde quer encerrar a carreira e, quem sabe um dia, exercer outra função.

A emoção acompanhou o camisa 2 da Gávea do início ao fim do batismo. Concentrado como se fosse entrar em campo para uma decisão, ele admitiu o nervosismo, enquanto ouvia as explicações do pastor Josué Valandro Júnior, misturado às outras 66 pessoas que iam ser batizadas. Entre os fiéis, de beca branca, o famoso jogador quase se torna anônimo. Na chamada, atendeu por Leonardo da Silva. Durante o culto que antecedeu o batismo, Léo quebrou o gelo e foi o primeiro a atender o chamado do bispo para testemunhar a transformação que a fé gerou na sua vida.

Foto: Vitor Machado / Agência O Dia
“Graças a Deus nunca tive uma vida ruim, mas nunca fui feliz como sou hoje. Uma vez, em Brasília, numa tarde de autógrafos num shopping, havia uma fila com mais de mil pessoas. Duas senhoras se aproximaram, e uma falou: ‘Não vim pegar autógrafo ou tirar foto. Vim lhe dizer que Deus tem uma grande obra para a sua vida’. Hoje, tenho certeza que essa obra vai se realizar. Não quero mais largar essa vida”, discursou Léo Moura, sem conter as lágrimas.

Durante toda a cerimônia, o lateral só se destacava dos demais por causa dos pedidos para tirar fotos. Após o culto, seguiu em fila até a piscina e aguardou a sua vez de passar pela águas. Primeiro, uma pessoa com dificuldade de locomoção, crianças, famílias e mais alguns grupos. Quando chegou a vez de Léo Moura, outros cinco fiéis também entraram na água.

O pastor pergunta a todos se confirmam que: “Jesus é o único e suficiente salvador”. Depois do mergulho, Léo Moura, mais uma vez, chorou. Além dele, Rafinha e Caio, das divisões de base, também foram batizados.

Bíblia salva mulher de bala perdida

A Bíblia salvou Danúbiah Mendes. Armazenada no baú da motocicleta de seu marido, o montador de móveis Marcos Souza, o livro foi capaz de interromper o trajeto de um projétil, impedindo-o de atingir as costas da mulher, que estava na garupa. O casal, que é evangélico, raramente transporta a Bíblia no compartimento.

Evangélicos, eles seguiam de uma igreja em Austin a caminho de outra igreja em Vilar dos Teles e só perceberam que foram atingidos no final do culto, quando viram que a Bíblia estava rasgada.

A bala passou pelo baú e foi impedida de atingir as costas de Danúbiah porque as folhas da Bíblia impediram que o projétil seguisse, ficando alojada na altura do capítulo oito do Apocalipse.

Quando viram um furo no Livro Sagrado, eles pensaram que alguma criança teria feito com uma caneta, mas logo perceberam que a bala estava ali dentro. “Sempre acreditei na salvação em muitos aspectos, mas dessa vez foi uma coisa visual”, disse Danúbiah ao jornal Extra.

“Vi a bala ali dentro, lembrei dos tiros e chorei”, conta ela. Seu esposo relata que por volta das 19h40 ouviu três tiros. “Eu estava ultrapassando três carros. Quando ouvi o barulho, acelerei mais”.

O fato aumentou ainda mais a fé do casal. “A Bíblia salva de muitas maneiras. Dessa vez, foi físico. Algumas folhas de papel salvaram a vida da minha esposa”, disse o jovem que também ficou muito emocionado.

Ladrão arromba igreja e leva caixa com orações em vez de dinheiro


Foto: Roberto Lira Notícias/Arquivo Pessoal

Um homem entrou em uma igreja evangélica na madrugada desta quinta-feira (1º), no interior do Ceará, e levou uma urna com orações achando que era uma caixa com dinheiro doado pelos fiéis, de acordo com o sargento da Polícia Militar de Varjota, Batista de Sousa. O crime ocorreu na cidade de Varjota, a 308 quilômetros de Fortaleza.

Segundo a polícia militar, o homem arrombou uma janela da igreja e roubou apenas a caixa de orações. A urna foi encontrada a alguns metros da igreja. "Ele abriu a caixa e deve quebrou a cara quando viu que não era dinheiro. Depois abandonou o objeto", afirma o sargento Batista de Sousa. A caixa com as orações foi devolvida ao pastor Cleílson, responsável pela igreja.

Ainda segundo A PM, um homem suspeito do crime está sob investigação. A polícia diz ter pistas sobre o autor, mas não pode revelar detalhes para não atrapalhar as investigações.

Pastor que manuseava serpentes durante culto como prova de fé morre picado por cascavel


Pastor manuseava serpentes durante culto.

O pastor pentecostal Mack Wolford, 44, da Virgínia Ocidental (EUA), que promovia a fé por meio do manuseio de serpentes, morreu neste domingo (27) após ser picado por uma cascavel, informa o “The Washington Post”.

Wolford era conhecido no estado por acreditar que a Biblia orienta os cristãos a manusear serpentes para testar sua fé em Deus e que, se picados, seriam curados pela fé, relata o jornal. O pai do pastor, também membro da igreja, manuseava os animais e morreu em situação semelhante, aos 39 anos.

O pastor tinha um cômodo em sua casa com oito serpentes venenosas, alimentadas com ratos, e costumava colocá-las em volta de seu pescoço, dançar com elas e até deitar perto delas. Ele já havia sido picado, diz a publicação

Ainda de acordo com o jornal, Wolford e outros adeptos da prática citam uma passagem bíblica que evoca o manuseio do animal e imunidade a picadas.

Morte

Wolford organizou um culto em um parque no domingo, 27, e chamou membros de sua igreja e familiares para que todos praticassem o manuseio de cobras. Durante o evento, o pastor se sentou perto de uma de suas cascavéis e recebeu uma mordida na coxa.

O pastor foi levado para casa, como nas outras vezes em que foi picado, mas não apresentou melhora, conforme o jornal. Médicos então o transferiram para o hospital, onde ele foi declarado morto.

MINHAS EXPERIÊNCIAS NA VIDA PASTORAL


Quando o pastor me entregou pela primeira vez as chaves da igreja que eu iria dirigir, me pediu para prestar bastante atenção no que iria me dizer, e que este alerta serviria para toda a minha jornada pastoral. E mandou: "-O que eu vou te falar, pode te assustar agora, mas o tempo e a sua experiência vão fazer você concordar comigo. Você não terá problemas de perseguição, calúnias, impropérios contra a sua pessoa, com católicos, espíritas, ateus, e ninguém de nenhuma outra religião. Os seus maiores problemas, a partir de agora, serão com alguns de nossos colegas pastores. Guarde este conselho, para que você não se assuste, e não pense em abandonar tudo".
 
Agradeci o alerta, e meditei no que o pastor me avisou, como sempre procurei ouvir atentamente o que ele me alertava. Mas pra ser sincero, no fundo mesmo eu não imaginava ser algo tão dramático, tão aterrorizador como parecia ser o alerta do meu querido pastor. Ele me avisava com os olhos arregalados, preocupado comigo. Em minha reflexão, pensei: "-Coitado do meu pastor...foram tantos anos de luta e perseguição, que agora ele está mais traumatizado, um tanto magoado. Deve ter me dito isso para eu não me envolver com outro ministério e acabar um dia mudando".
 
Iniciei os cultos na congregação, e no primeiro mês tudo me pareceu normal. Não esqueci o alerta, que para mim serviria em outro tipo de problema, alguma luta passageira, ou um falso pastor que surgisse e logo desaparecesse, coisas assim. Resolvi reunir a igreja para realizar uma festa, e no computador, fiz as cartas para convidar congregações vizinhas. Assinei e pedi a um diácono para, com tempo, entregar nas igrejas, ou em mãos aos pastores e dirigentes que conhecesse. Renovei a estética da congregação. Eliminei os antigos bancos de madeira, velhos, rabiscados, por cadeiras de plástico. Pintura nova, cortina nova, caixa de som nova, microfones novos... Tudo ok.
 
No dia da festa, pedi que duas jovens, com pranchetas, anotassem os dados dos visitantes. Pedi também a igreja que não deixassem nossos visitantes de pé, e dessem o lugar a eles. Tudo certo. Tudo ótimo! Algumas igrejas que convidei, de longe, vieram, ou enviaram grupos, alguns do ministério, etc. Como tenho muitos amigos pastores, mas de igrejas longe dali, alguns que fizeram seminário comigo, vieram com a família. Um número razoável de visitantes. Mas um detalhe: de nenhuma igreja local se fez presente sequer 1 (um) irmão! O evento foi num sábado, dia que dificilmente há culto oficial em igrejas, o que justificaria a ausência da maioria dos convidados. Mas, mesmo que fosse em algum dia útil da semana, seria muita coincidência uma dezena de igrejas terem seus cultos naquele mesmo dia, ou realizarem eventos naquela mesma data. Perguntei ao diácono e ele me disse que entregou as cartas nas igrejas e em mãos de alguns dirigentes. Chegou até a visitar alguns cultos e viu a carta ser lida no final.
 
Durante todo o culto, apenas uma pessoa, que era de uma igreja da redondeza, ficou em pé na porta, e não quis entrar. Estava de paletó e gravata. Olhava todo o tempo para o meio da igreja, como se procurasse por alguém. Mesmo com insistência da recepção ele não quis entrar e ficava o tempo todo de semblante fechado, de cara feia mesmo, e reparando com ar de espanto para cada grupo de visitantes que chegava. No meio do culto ele foi embora. Missão cumprida. Ninguém da igreja dele estava ali.
 
O conselho do meu pastor era tão vivo quanto os acontecimentos que sucederiam a cada mês, a cada ano dirigindo a congregação. Uma irmã, de uma dessas igrejas vizinhas, nos visitou em outra ocasião, num culto durante a semana, e foi suspensa do grupo de louvor por um mês. "-Você foi na igreja daquele cara ali?" - Gritou o pastor com dela. Isso ela nos contou um ano depois de ter se desligado de lá, ela e um monte de membros, após o pastor levar um soco no meio da igreja, de um homem que ele não pagava as dívidas da transação de um carro.
 
Fico tentando compreender o que há na cabeça de alguns destes pastores. Porque agem desta forma se temos um Deus que pode todas as coisas?! Porque tamanha e tão clara insegurança com relação a membresia da igreja, como se as ovelhas fossem um produto negociável, que pode escapar das mãos "se der bobeira", como alguns chegam a dizer. Porque tanta malícia, ódio, no coração de quem está a frente de uma igreja? Com certeza que não devemos ser ingênuos. Eu sei que pastor de verdade sofre muito. Sofre mesmo! Não estou afirmando isso para não parecer tão crítico. Pastor chora muito. Fica calejado de pedradas, calúnias, etc....
 
Um pastor se reserva ao direito de aconselhar uma ovelha, caso perceba que ela esteja se deslocando para um lugar que a desvie da diretriz que Deus tem em sua vida. E pastor sempre tem experiência de sobra para aconselhar a sua ovelha se ela está se metendo em algo errado. Mas estas experiências não podem transformá-lo num preconceituoso, inseguro, invejoso, com o coração cheio de ódio, esquecendo-se da Palavra que nos diz: "Oh quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união"(Salmo 133:1) Talvez este versículo lhe seja doce aos lábios quando as outras pessoas visitam a igreja dele. Que ao invés de orar e confiar seus problemas nas mãos do Senhor, como ele mesmo aconselha, escala obreiros para vigiar se algum de seus membros foram visitar outras igrejas. Atitudes estas, que não identificam alguém que se auto denomina, via de regra, "ungido de Deus".
 
"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, 
mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, 
mas de boa vontade. Nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, 
mas servindo de exemplo ao rebanho"(1º Pedro 5:2,3)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ

Abandonou agenda cheia!!!


Perlla está mesmo mudada. Depois de assinar contrato com uma gravadora gospel, a cantora ministrou um culto evangélico, no último sábado, numa igreja da Assembleia de Deus, em Itaguaí, na Zona Oeste do Rio. Em sua página no Twitter, a ex-funkeira postou uma foto dela pregando. "Bênção pura" foi a legenda escolhida pela cantora para a imagem. Então tá!

“-Ali vem uma serva de Deus!”


“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”.     (João 13:35)

O meio evangélico, principalmente o pentecostal, é cercado de ísmos do pensamento religioso, concepções errôneas do que seja o “andar com Deus”. Impressiona o número de crendices que muitos crentes carregam e como elas variam de uma para outra. Cada qual arrogando para si o conhecimento da “verdadeira doutrina”, e para estes, os que não aderem a sua linha de pensamento, ou estão fracos, ou ainda não foram “libertos”. Alguns grupos chegam a dizer que são os únicos salvos, pois, segundo eles, o mundanismo adentrou as outras igrejas.
Uma das crendices que mais se propagou no meio evangélico pentecostal é com relação as vestes. A indumentária, para muitos religiosos, revela o grau de "consagração" a Deus. Com certeza que quem adoraem espírito e em verdade jamais irá se trajar indecentemente. Mas para os mais exigentes e rigorosos, a veste longa e social é o referencial da santidade ao Senhor. Junto com essa estética “santa”, acompanha-se um olhar altivo, dedo em riste, ar de mistério, palavras duras de exortação àqueles que andam “de qualquer maneira”. (Esse “de qualquer maneira” não significa propriamente usar roupas indecentes, mas estar fora da "doutrina" que o exortador acredita ser o correto e santo).

Como pastor pentecostal jamais serei a favor de um neoliberalismo em que o cristão possa andar com roupas sensuais, curtas, justas, seja a calça, a saia, o vestido, etc... O verdadeiro servo de Deus, seja qual tipo de veste ele usar, mesmo os trajes caracterizados evangélicos (tipo "vestidão" ou "saião" - alguns justos demais nos quadris) não podem transmitir sensualidade. Até porque quem nasceu de novo, quem realmente é convertido ao Senhor, não vai querer usar roupas indecentes! Respeito a todas as igrejas que mantém seus regulamentos internos, suas doutrinas. Tenho muitos amigos pastores destas igrejas e não os substimo nem ofendo. Até muitos deles admitem que deve se ter um equilíbrio e moderação nestas proibições. Respeito a posição de cada pastor. Todavia, na minha opinião, regulamentar tamanho de roupa como regra para entrar no céu, é pregar um "outro evangelho". (Gálatas 1:8)  É ir "além das coisas que estão escritas". (1º Coríntios 4:6) 

A algum tempo, uma missionária intitulada “profeta” e “vaso de fogo” se afastou da comunhão de uma das nossas igrejas. Segundo a tal missionária, o seu afastamento se deu pelos seguintes motivos: “falta de doutrina na igreja”, e "muitos irmãos estavam andando de qualquer maneira”. A igreja estava crescendo como ainda está, porém o fato do povo não se trajar com roupas sociais e saias “lá no pé” a incomodava. O ministério da igreja respondeu a missionária que se algum membro estivesse se trajando indecentementenão estaria atuante nos departamentos da igreja. O ministério solicitou ainda (já que este foi o motivo de seu afastamento) que a missionária citasse ao menos 1 (um) exemplo de indecência na igreja. A missionária não citou exemplos, e apenas respondeu: “-Meus irmãos, quando o mundo olha para uma mulher cristã, olha para as suas vestes e diz: -Ali vem uma serva de Deus!” (Ela se referia a saia longa, lá no pé, e a camisa de manga comprida).

Esse foi o argumento que a irmã usou para se desligar de nosso ministério e ir para outra igreja. Uma semana depois estoura a notícia que envergonharia muitos evangélicos e vem a servir de escárnio para o mundo: A tal missionária, profeta, vaso, e outros títulos, é pega roubando num supermercado. A irmã foi fichada, levada a depor. Eu nunca desejei que ela passasse tamanha vergonha! Gente a pampa no mercado olhando, seguranças gritando, um rebú danado! Lamentável ocorrer isso e o mundo identificar como um crente, um evangélico.


Escândalos acontecem. É bíblico. Mas não é estranho acontecer um fato deste com uma pessoa que pula, sapateia, exorta duramente, exige roupas longas, que exige tanta “santidade”??? Com certeza esta irmã não reflete os demais irmãos que seguem suas doutrinas. Jamais vou generalizar e dizer que quem segue doutrinas de roupas é sem caráter. Conheço irmãos que são pessoas honestas, sinceras. Porém o que chamo a atenção é para o seguinte fato: Como pode Deus tocar profundamente numa pessoa para ela não usar mais um determinado tipo de roupa, a ponto dela se sentir mal ao usar roupas fora da doutrina da igreja, e esta mesma pessoa mentir, caluniar, fazer fofocas, roubar?!?! Não é a Doutrina Bíblica (que nos ensina a não mentir, a não falar mal do próximo, a não roubar) muito mais importante que a doutrina da igreja?? Como pode um mesmo Deus, numa mesma pessoa, tocar numa área que a Bíblia não dá tanta ênfase (as aparências) e em outra área, do coração, das atitudes, não tocar?! Como pode uma pessoa ser tão "santa" no exterior, e ter um coração cheio de ódio, de inveja, de desejo de vingança??
  
Não vou mentir e dizer que eu não gostava de ver a tal missionária dirigindo cultos, vigílias, campanhas, muito avivadas até. Creio que quem faz a obra é o Senhor Jesus, quando oramos em seu nome. Porém, em algumas pregações da missionária, no final, ela deixava sua marca registrada: "-O crente deve serdiferente...devemos andar em santidade!" Coisas desse tipo ela fazia questão de falar. Eu engolia atravessado, mas relevava. A verdade é que nós pentecostais aprendemos a gostar destas pessoas que sabem animar os cultos de avivamento. Corinhos de fogo, bastante línguas estranhas, mistérios, visões... E nem sempre a vida de quem dirige estes trabalhos  condiz com o que eles pregam. "Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade"(Mateus 7:22,23)
 
"-Receba aí essa rajada de fogo...essa rajada de poder...essa rajada de glória...receeeeeeebaa!" Não é comum, mas já ouvi dizer de indivíduos que soltaram uma rajada de cheques sem fundos nas cidades onde pregaram. Escândalos difíceis de serem contornados da mente de quem nem era evangélico, mas acreditou no pregador, porque ele pulava, gritava, suava, etc. Conheci um dono de uma loja de CD´s evangélicos, e conversando com ele sobre os escândalos no meio gospel (nessa época eu estava elaborando uma matéria sobre o assunto) ele me mostrou uma pilha de cheques retornados do banco, sem saldo, e ele me disse: "-Você está vendo estes cheques aqui? São cheques de homens de Deus!"  Lógico que este empresário usava de ironia em usar a expressão "homens de Deus". É óbvio que os donos daqueles cheques não são dignos deste título. Mas ele se referia a pregadres, missionários, avivalistas, que o decepcionaram.
          
Pregadores sem caráter, obreiros sem caráter, pessoas que aprenderam a animar cultos, a pregar gritando, e incharam com o fermento do farisaísmo. Querem doutrinar igrejas, ensinar como o cristão deve se vestir, mas não largam a mentira, a desonestidade, a fofoca, o pecado! Não se vestem de qualquer maneira, mas vivem de qualquer maneira! A tal missionária só usa saia, roupas longas e sociais, anda na "doutrina", e o povo a vê, e diz: “-Ali vem a mulher que foi pega roubando no supermercado!”

 "E sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse: Certamente, está perante o Senhor o seu ungido.Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração"(1Samuel 16:6,7) 



"Fugi dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas"(Marcos 12:38)   


Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ

O CRISTÃO PODE TER MEDO?


"Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito...E levantando-se ele,
tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito". (Mateus 2:13,14)

 
Quando falamos em medo esta palavra soa para nós como um extremo oposto da fé que temos na proteção de Deus. Desde que nos convertemos ao evangelho, a maioria de nós aprende que o cristão não pode ter medo, que não pode ser um medroso, porque vivemos debaixo da proteção divina. E isso é evidente haja vista que servimos ao General que não perde batalhas - Jesus. Somos servos do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Sendo assim é óbvio que não devemos ter medo.

Diante desta conclusão que nos parece tão justa, por vezes ficamos estupefatos com notícias de cristãos que morreram em situações nada diferentes da dos ímpios. Tiroteios, balas perdidas, acidentes fatais, assaltos, violências, etc. E diante desses fatos, perdemos um pouco daquela fé na proteção "sob o esconderijo do altíssimo".

Chegamos a questionar: "-Estaria aquela pessoa que morreu naquelas condições sem fé, ou com algumpecado escondido?" Este é um julgamento injusto por dois motivos: Primeiro, que são muitos os cristãos que já morreram nas mais diferentes situações de acidentes e violências. Segundo, que conhecemos também pessoas que se dizem cristãs, que andam muito erradas, e nem por isso perderam a vida.

A verdade é que a maioria dos cristãos não tem discernimento das palavras medo e precaução. Ouvimos sempre cristãos que afirmam em tom de autoridade: "-Eu não tenho medo de nada...tenho muita fé..."  Difícil é encontrar conexão da fé destas pessoas com a ocasião em que José e Maria fugiram de noite para o Egito, e logo com o menino Jesus junto deles, o que nos faz pensar que a proteção de Deus é evidente, mas no entanto tiveram que literalmente fugir. Muitas vezes o excesso de autoconfiança acaba por resultar em tragédias, como o caso de um pastor que, ao ser assaltado, abriu velozmente o salmo 91, e antes que ele começasse a ler o primeiro versículo, o assaltante, no susto, o matou com um tiro.

 é crer na providência de Deus, é saber esperar com paciência a resposta divina, mesmo nas provações, como foi o caso de Jó, que sendo um homem justo, a tragédia tirou a vida de seus filhos, e mesmo assim não abandonou a Deus, como aconselhou a sua esposa num momento de desespero. Diante desta fé, Deus o retribuiu tudo em dobro. Muitos destes que dizem não temer a nada, que tem muita fé, diante de uma perda familiar, pensam logo em abandonar o Caminho do Senhor.

Um grande problema é que muitos de nós aprendemos um evangelho de soluções imediatas! Para arrebanhar uma quantidade maior para os templos, alguns líderes chegam a prometer: "Venha pra cá, e nenhum mal te ocorrerá". Poucos querem servir ao Deus de Jó, poucos os que pregam o versículo que diz "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo"(João 16:33) Uma grande quantidade de crentes quer um Deus-Alívio-Imediato. Compromisso com a seara, visitas, evangelização, oração, nada disso! Querem entrar numa destas "Campanhas Milagrosas" e ver suas vidas regaladas e protegidas por Deus como num passe de mágica. A Bíblia se torna um acessório no guarda-roupa deste tipo de evangélico. Serve para identificá-lo como crente, já que em outras atitudes dele nada se vê de cristão. Serve também para ele ficar meia-hora tentando achar o texto da leitura oficial na igreja.

E no meio desse cristianismo básico, seguido por este tipo de crente, nascem os pseudopregadores das horas vagas. Aquele colega de trabalho, que na hora do cafezinho parece saber muito de Bíblia, e quer ensinar a todo mundo o que é ter fé. E do ensinamento de alguns destes autodidatas da Bíblia, aprende-se que o cristão é um destemido, um supercorajoso, que a nada teme e todos temem a ele. Que entram em qualquer lugar, a qualquer hora, e com ele não há "tempo ruim". Quase sempre tudo isso é dito da boca pra fora. Medo todo mundo tem (dependendo da situação) e isso ninguém pode negar. Mas estes ensinos acabam por gerar reações, principalmente para quem é novo na fé, que acabam atropelando o bom senso e a razão, por mera vergonha de passar por medroso, quando a Bíblia ensina o cristão a ser vigilante!
 
"Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos
dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus". (Mateus 4:6,7)
 
O medo pode estar ligado a um fato que realmente pode trazer mal resultados. Por exemplo, uma pessoa que tem medo de atravessar uma avenida em que os carros transitam em alta velocidade. É lógico que o receio da pessoa de ser atropelada é sentido por qualquer pessoa normal. Um atropelamento é um acontecimento provável se houver falta de cuidado. O medo normal é humano. O medo desmedido sim é doença. A própria ciência busca através de tratamentos a busca do equilíbrio entre o medo necessário à própria existência, e o medo desmedido que angustia a alma.

Muitas pregações condicionam o sucesso do cristão (principalmente material) na ausência de medo, alegando que aquele que tem sua fé fundada na Rocha Eterna não pode temer a nada. De fato, ter fé, em tese poderia significar não ter medo. Mas na prática a coisa não funciona assim. Somos instáveis, temos preocupações, nossas mentes trabalham até quando dormimos e, por estas características e condições, é impossível que não sejamos acometidos pelo medo.

A diferença é a fé que nos resgata para o equilíbrio, que nos dá força para vencê-lo, não para eliminá-lo. A Bíblia é pródiga em mostrar a face humana do medo, em tantos heróis da fé: Moisés, Elias, Davi, e os apóstolos. Ora, se até mesmo o filho de Deus, em circunstância limite, experimentou o medo (Jardim do Getsêmani) por que o pobre do cristão ao senti-lo estará confessando falta de fé?

Este artigo jamais pode ser encarado como uma apologia ao medo, a covardia, mas a se ter precaução, ao cuidado que o cristão deve ter num mundo que jaz no maligno. Paulo já havia tido o encontro com Jesus no caminho de Damasco, mas nem por isso dispensou o cuidado de descer num cesto pelo muro, do contrário teria sua vida ceifada.
 
"Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e, como eles guardavam
as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida, tomando-o de noite
os discípulos, o desceram, dentro de um cesto, pelo muro". (Atos 9:24,25)
 
E a Palavra de Deus ainda nos adverte:


"Fugi de toda aparência do mal". (1º Tessalonicenses 5:22)

Isso nos mostra que nem sempre a palavra "fugir" está ligada ao medo ou a falta de fé, mas a cautela. Assim como a palavra "medo" não revela níveis de fé, mas no momento certo, nos livra de tentarmos a Deus. Veja bem, a Bíblia diz:

"Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores". (João 9:31)

E também afirma:

"Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso". (1º João 1:10)

 Ora, se somos todos pecadores, então Deus não nos ouve?! Vemos aí que há uma diferença em pecar e viver no pecado. O mesmo tratamos aqui sobre o medo. Uma coisa é você sentir medo diante de uma situação. Outra coisa é você viver uma vida de medo, temendo a tudo! O medo não pode roubar a sua fé, assim como a falta de medo também não pode deixar você tomar atitudes precipitadas. Vamos tomar, por exemplo, a passagem em que o Senhor Jesus nos aconselha:
 
"Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas
dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver
posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar"(Lucas 14:28-30)
 
Aqui o Senhor Jesus não joga um balde de água fria na nossa fé, mas nos ensina a sermos cautelosos! Que nós venhamos não a nos tornar medrosos, mas cuidadosos com algo tão precioso que Deus nos deu: a vida. Que venhamos a ser sóbrios e vigilantes, como bem nos recomenda Pedro:

"Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar". (1º Pedro 5:8)

"Para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos". (Mateus 5:45)
"Portanto, sede símplices como as pombas e prudentes como as serpentes". (Mateus 10:16)

Denis de Oliveira é pastor das Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ