MENSAGEM: Castigo atenuado.


Era costume o Raúl entornar o leite cada vez que mungia as vacas. Um dia o pai advertiu-o: "- Se voltar a entornar o leite, vai dormir no palheiro". Mas o Raúl, traquinas e distraído, numa tarde de ordenha, volta a entornar o leite. E desta vez, um balde inteirinho. O pai, irredutível, dita-lhe a sentença. O Raúl chora, reclama, mas apesar da mãe interceder por ele, vai dormir nessa noite no palheiro.

À noite o pai entrega-lhe um cobertor, uma lanterna e um lanche. O Raúl, com uns olhitos suplicantes, tenta demover o pai. Não serve de nada. O indicador estendido do pai aponta-lhe a cama - o palheiro. Lá há muitos ratos, cobras, muitos bichos. O Raúl tem medo. O pai quase se arrepende da sentença. O pequenito afinal iria ficar sujeito a muitos perigos. Mas castigo, é castigo. Palavra de pai não volta atrás. O Raúl tem que aprender a ser obediente, a ter cuidado.

E lá foi o Raúl com o coração a bater acelerado e de lágrimas nos olhos. Deitou-se receoso. Custou-lhe adormecer. Deu muitas voltas, espreitou muitos fantasmas, ouviu muitos ruídos. Mas o sono foi mais forte.

O Raúl dormiu mesmo no palheiro. O pai tinha sido muito severo. Só que, ao acordar no outro dia de madrugada, sentiu um corpo quente encostado ao seu. O pai estava dormindo ao seu lado.

No dia em que pecares certamente morrerás. Deus pronunciou a sentença e cumpriu-a. Nós fomos mesmo dormir no palheiro! Mas Deus, pelo seu infinito amor paternal, providenciou o nosso livramento.

Quando acordamos da nossa insensibilidade, alheamento e desobediência, damos conta que ele está dormindo ao nosso lado.

"Porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento"(Mateus 9:13)



MENSAGEM: "Eu pedi. E Deus disse Não".

Eu pedi a Deus para retirar os meus vícios.
Deus disse: NÃO
Eles não são para Eu tirar, mas para você desistir deles.

Eu pedi a Deus para que me desse paciência
Deus disse: NÃO
Paciência é um subproduto das tribulações. Ela não é dada. É aprendida.

Eu pedi a Deus para me dar felicidade.
Deus disse: NÃO
Eu dou bênçãos. Felicidade depende de Você.

Eu pedi a Deus para me livrar da dor.
Deus disse: NÃO
A dor te afasta do mundo e te traz para perto de Mim.

Eu pedi a Deus todas as coisas que me fariam apreciar a vida.
Deus disse: NÃO
Eu te darei a vida para que você aprecie todas as coisas.

Eu pedi a Deus para me ajudar a amar os outros como Ele me ama.
Deus disse: Finalmente você começou a entender.

"Foi-me dado um espinho na carne...acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim, e Ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza"(2 Cor. 12:7,8,9)


MENSAGEM PODEROSA: Sem Forma e Vazio!!!

"No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas". (Gênesis 1:1,2)

A bíblia nos mostra, no princípio criacional, Deus vendo esta terra sem forma, vazia, sem nada. A terra não tinha um aspecto, não tinha um perfil. Mas o criador, onipotente, disse: "Haja luz", e a luz foi feita. Muitas pessoas dizem por aí que o mundo foi feito do "nada". Errado! O mundo não foi feito do nada. O mundo foi feito de um material chamado Palavra. Para tudo que Deus criou, Ele pronunciou. Então, descobrimos aqui, que tudo o que Deus faz, Ele anuncia, Ele fala, Ele diz e faz valer a sua Palavra. A sua palavra cria realidade! O que é impossível aos olhos dos homens, se Deus falou que vai te dar, pode esperar!!! A vitória é certa! Não há o que duvidar. Deus é Deus de Palavra!

Mas quantas vezes na vida somos surpreendidos pelo inesperado, e as surpresas da vida vêem abalar a nossa fé, e chegamos a pensar que tudo que Deus nos prometeu não passa de ilusão? Quantas vezes, no meio da luta, chegamos a pensar que Deus nos abandonou, não vai com a nossa cara, esqueceu de nós, não é verdade? A nossa limitação humana nos faz pensar que o nosso criador esqueceu de nós, e está muito longe. Mas isso não é verdade! É nesse exato momento que o Senhor Jesus está bem ao nosso lado. Mas mesmo assim nos achamos indignos de passar pelo que passamos, visto que somos cristãos. A revolta contra Deus encontra espaço em nosso coração, porque pensamos que não precisamos passar por nenhuma aflição, porque somos crentes. Isso é seta do inimigo.

Você sabe porque um coqueiro é tão difícil de ser arrancado do chão? As suas raízes entranham tanto a terra que os funcionários da prefeitura, quando tem que tirá-lo, serram as raízes. Não é fácil. O coqueiro, quanto mais vento ele sofre, mais as suas raízes se enfiam terra adentro. Se ele não sofresse nenhum vento, seria derrubado facilmente. O cristão é como um coqueiro. Os ventos em sua vida servem para enraizá-lo a cada dia mais na Rocha Eterna que é Cristo. O Senhor ele não tira você do vento, mas Ele passa junto com você! Você pode se sentir sozinho, mas não está. Nunca estará!

Eu não sei de que maneira você se encontra hoje. Não sei se você está sem forma, vazio, ou se encontra em trevas por algum motivo em sua vida. Mas eu posso te dizer uma coisa com toda certeza: O Espírito de Deus está se movendo sobre a sua vida, sobre o seu ser. E Ele quer te encher. Te encher aí agora se você der lugar!!! Crê nisto??? É somente crer! Ele quer te dar forma, quer te dar luz! Ele quer preencher o teu vazio. Esse vazio que é do tamanho Dele, e por isso somente Ele pode preencher. O homem não pode preencher este vazio. O mundo não pode. O dinheiro não pode. Os amigos também não podem. Mas somente Deus pode preencher! Ainda que muitos te julguém pela tua aparência, saiba que Deus não vê como vê o homem!!!

"Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração". (1º Samuel 16:7)

Que Deus te abençoe rica e poderosamente em nome de Jesus!


Jesus, a lei e o código de trânsito.

Quem frequentou uma auto-escola para tirar sua carta de motorista (CNH) sabe que numa via o agente de trânsito (guarda) tem autoridade superior sobre os sinais de regulamentação e advertência (placas e semáforos). As placas podem estar indicando um sentido, e nelas conter proibições ou indicações.

Mas se o agente de trânsito indicar um outro sentido, diferente das placas, ou determinar que os motoristas sigam em frente, mesmo com o sinal vermelho, o motorista deve obedecer ao guarda, pois ele é o mediador entre os veículos e o trânsito.

O condutor que se atrever a desobedecer as ordens do agente de trânsito, com certeza será multado, e dependendo da ocasião, ter o veículo apreendido e até mesmo ser preso.

Quem vive a guardar o sábado, age como o motorista que passa por cima do guarda, e defendendo-se: 

"-Está escrito na placa…eu devo seguir…sai da frente…"

Jesus Cristo é o mediador entre Deus e os homens (1º Timóteo 2:5). Quando Jesus curava e fazia muitas outras coisas no sábado, os judeus se iravam muito. Para eles, as placas da lei dadas a Moisés eram mais importantes que tudo.

O Novo testamento, o Novo Pacto entre Deus e os homens, nos trouxe uma nova aliança, um novo caminho a seguir, orientando-nos com o mediador, Jesus Cristo.

"E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel". (Hebreus 12:24)


Daniel na cova dos leões - Fator obediência.

"Todos os príncipes do reino, os prefeitos e presidentes, capitães e governadores tomaram conselho, a fim de estabelecerem um edito real e fazerem firme este mandamento: que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus ou a qualquer homem e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões. (...) Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer". (Daniel 6:7,10)

Daniel era um homem de oração, e ninguém pode negar isso. Seu testemunho, sua vida exemplar, inspirava confiança, estimulava a crer num Deus vivo que pode todas as coisas. Seria inaceitável associar um homem como Daniel a um espírito de rebeldia, de desobediência, de insubordinação. Este era verdadeiramente um homem de Deus! Só que tudo isso parece muito confuso diante deste novo edito do rei: está proibido a petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, que não fosse ao rei. Daniel não obedeceu. E era só por trinta dias! Os príncipes ciumentos haviam armado uma cilada para Daniel, sabendo que ele orava três vezes ao dia. Agora o decreto do rei tinha que ser cumprido.

Será que Daniel não sabia das ordens de "honrar ao rei" como era conhecido de todos e até na própria escritura sagrada? Será que Daniel não sabia que "o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria" (1 Samuel 15:22,23)? Será que Daniel não era exemplo para o que Pedro ordenou na Palavra de Deus em 1 Pedro 2:13: "Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor, quer ao rei, como superior"??

Sem dúvidas que este Beltessazar (nome dado a Daniel pelo chefe dos eunucos) sabia de suas obrigações e de sua submissão ao rei. Conhecia as Escrituras e era temente a Deus. Daniel não era covarde, como alguns de nossa contemporânea sociedade, que se acham corajosos e ousados com os pobres, simples e humildes, mas que diante dos mais abastados, dos que tem um certo poder aquisitivo elevado, fingem não ver o erro, fazem vista grossa ao pecado, e toda a sua autoridade, ousadia e fé vão por água abaixo! Daniel não fazia média, bajulando poderosos, para depois dizer que "recebeu bênçãos", de iníqüos, incrédulos, mentirosos, aliados do diabo. Daniel não era rebelde, mas seu compromisso primordial era com Deus.

Pedro e João, diante do sinédrio, não foram exemplo de rebeldia, mas de compromisso com a seara do Senhor, de pregar o evangelho da salvação: "E, chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus. Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus, porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido". (Atos 4:18,19)
Estes exemplos nos mostram que a submissão, a obediência, não é sinônimo de um suicídio mental, de uma auto-hipnose, de uma obediência cega. É evidente que nenhum pastor ou líder cristão irá proibir alguém de orar, de buscar a Deus. Mas a quantos fatores isso pode ser relacionado, sem ser propriamente a oração?! Quantos e quantos irmãos são amedontrados por alguns, a apenas "obedecer" e nada mais, sem questionar? Quantas pessoas já foram suspensas, excluídas de comunhão, sem serem ao menos questionadas, sem terem o direito de se defender, pois o que vale é uma única voz, de quem se diz ungido!

Talvez nos dias de hoje alguns diriam até que Daniel entrou "na prova" da cova dos leões por que foi desobediente, rebelde, com o rei Dario. Alguns diriam que os leões só não o comeram "pela misericórdia", mas que Deus poderia ter permitido, por desobedecer. Quantas coisas ouviríamos de alguns crentes!

Mas Daniel não era obreiro fraudulento, não era profeta de Acabe, nem vaso covarde, de entregar o recado de Deus com ousadia somente para os humildes e temer os "grandes". Não era como o profeta Hananias, que indo contra Jeremias, profetizava coisas boas para fazer uma "média". Pela manhã o rei ouviu de Daniel a resposta do suposto "desobediente" as suas ordens: "Oh rei, vive para sempre! O meu Deus enviou seu anjo e fechou a boca dos leões para que não me fizesse dano". (Daniel 6:20-21)

Seja obediente ao pastor de sua igreja. Dentro da Palavra de Deus, à luz das Escrituras. A Bíblia nos ordena mesmo a obedecermos aos pastores, pois eles darão conta de nós. O cristão que pensa em fazer tudo sem conselhos de seu pastor, sem pedir permissão, com certeza encontra a derrota rapidamente. Mas saiba que, em primeiro lugar, o seu compromisso é com Deus. O Deus dos deuses e Senhor dos senhores!

"Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram:
Mais importa obedecer a Deus do que aos homens"(Atos 5:29)



É pecado o cristão comer Ovos de Páscoa?


Uma das coisas que tem intrigado muitos cristãos são os comentários sobre comer "ovos de páscoa". Nesta época do ano são inúmeras as propagandas que enchem nossa boca de água, e a cabeça de muitos crentes de dúvidas. Afinal, posso ou não comer ovos de chocolate?! A Páscoa, para nós cristãos, tem um significado muito diferente dos que não conhecem a Palavra de Deus. Se para outras pessoas esta época significa apenas se empaturrar de chocolate, para nós a Páscoa cristã celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição.

Mas se o significado é a ressurreição de Cristo, o que tem a ver os ovos de páscoa?! Os ovos de chocolate ou ovos de Páscoa são uma tradição milenar relacionada ao cristianismo. Costumava-se pintar um ovo oco de galinha de cores bem alegres, pois a Páscoa é uma data festiva que comemora a ressurreição de Jesus Cristo, sendo o ovo um símbolo de nascimento. O ovo é símbolo bastante antigo, anterior ao Cristianismo, que representa a fertilidade e a renascimento da vida. Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21 de Março) era um costume que celebrava o fim do Inverno e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Para obterem uma boa colheita, os agricultores enterravam ovos nas terras de cultivo. Quando a Páscoa cristã começou a ser celebrada, a cultura pagã de festejo da Primavera foi integrada na Semana Santa. Os cristãos passaram a ver no ovo um símbolo da ressurreição de Cristo. Os ovos de chocolate vieram dos franceses que recheavam ovos de galinha, depois de esvaziados de clara e gema, com chocolate e os pintavam por fora. Os pais costumavam esconder ovos nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. Com melhores tecnologias, a partir do final do século XIX, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate, utilizados até hoje. (Wikipédia)

Mas para alguns os ovos de páscoa são simbolos do paganismo! Vejamos então, por exemplo, as velas em cima de um bolo de aniversário. Para algumas religiões, estas velas acesas no escuro em cima do bolo tem outro significado. Os dois únicos aniversários que a Bíblia menciona são de pagãos, o Faraó do Egito (Gênesis. 40:20) e o Rei Herodes (Mateus 14:6). Vejamos a história da festa de aniversário:

"Os vários costumes de celebração de aniversários natalícios das pessoas hoje em dia têm uma longa história. Suas origens acham-se no domínio da mágica e da religião. Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração - com o requinte de velas acesas - nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro". (Wikipédia)

Nenhum de nós comemoramos aniversário no intuito de fazer um ritual espiritual, mas de celebrar a data em que você completa mais um ano de vida. Comemos doces, salgadinhos, bolo, etc. Não vemos mal em acender as velas do bolo, no escuro, e cantarmos "parabéns pra você". É perfeitamente normal vermos festas aniversário até mesmo em nossas igrejas, no aniversário de algum irmão ou do pastor.

Quem condena comer ovos de páscoa, alegando ser uma festa "pagã", também deveria condenar o uso das alianças de casamento, que tem sua origem no paganismo. Vejamos:

"Esse anel, aliança, surgiu entre os gregos e os romanos, tendo por origem um costume hindú de usar um anel para simbolizar o casamento. Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia (vena amoris) que estava directamente ligada ao coração, costume culturalmente seguido até aos dias de hoje". (Wikipédia)

Agora, pare e pense: o que parece ter mais ligação com um ritual religioso atualmente, a troca de alianças de casamento ou comer um ovo de chocolate? Qual das duas costuma ocorrer numa igreja? Qual das duas costuma contar com a participação de um líder religioso? Daí, comer um ovo de páscoa é considerado pecado, pois está relacionado a um ritual pagão, mas o ritual das alianças de casamento não?!


O mero fato, porém, de que pagãos adotavam um certo costume não significa que hoje ele esteja proibido para nós. Jacó e José, por exemplo, eram servos de Deus, mas quando Jacó faleceu José mandou embalsamá-lo (segundo costume dos egípcios pagãos), e mais tarde o próprio José foi embalsamado. (Gênesis 50:2,3,26).
 
"Dizer que coelho da páscoa existe para nossas crianças é anticristão?"
 
Na escola as crianças ouvem diversos contos, que desenvolvem o raciocínio. Quando uma criança pergunta aos pais de onde vem os bebês, será que a mãe deveria dizer: "-Olha, eu e seu pai vamos para a cama, e temos uma relação sexual, e fazemos assim, e aí veio a gravidez, e você nasceu..."??? Ou será que nós respondemos com alguma historieta, que ela veio num "avião" ou "cegonha", que evite a todo custo usar a palavra "sexo" para os pequeninos???
 
Portanto, não vejo mal nenhum em ver crianças acreditando numa historieta de coelho da páscoa, ou de outros contos tão bonitos. Isso não pode ser encarado como um ato "anticristão". Senão, todos os pais cristãos deveriam tirar seus filhos da escola, tirar a TV de casa, isolar do mundo, e lhes contar toda a vida como ela é, sem desviar o assunto. Estaria correto estragar toda a infância, por causa de uma simples história de coelhinhos e ovos de chocolate?!
 
Se formos buscar o que tem ou não origem no paganismo, não vamos poder fazer mais nada! Quando Jesus afirmou: "Não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai dela" (Mateus 15:11), Ele tão somente quis dizer que o que contamina não é o ritual religioso de lavar as mãos, ou não pode isso e não pode aquilo outro, mas o que estava dentro do coração de cada pessoa. Se você vai comer ovos, bombons, chocolate, ou não, é uma decisão sua. Só quero deixar bem claro que não há nenhum respaldo bíblico para se proibir alguém de comer ovos de páscoa.
 
"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; mas o corpo é de Cristo". 
(Colossenses 2.16-17)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.



É ERRADO BATIZAR NAS ÁGUAS PESSOAS QUE NÃO SÃO CASADAS COM CERTIDÃO?

Deixo claro ao amado irmão que lê este artigo, que jamais aceitarei casais de jovens que vão morar juntos, brincando de casar, e depois simplesmente acabam com o "amor", (tendo condições de se casarem oficialmente), e partem para outra, como se estivessem num término de namoro. Particularmente acredito que nem o namoro possa ser levado irresponsavelmente, haja vista que o cristão deve namorar com o propósito único de chegar ao casamento, e não convém ao servo de Deus namorar e terminar inúmeras vezes, em curtos espaços de tempo. 

Apenas fiz a comparação, pois o casamento, óbvio, é algo muito mais sério que o namoro. O pecado de fornicação é real, e quem quiser ter uma vida abençoada deve buscar o casamento, e não o ajuntamento. Porém, o objetivo deste artigo é ressaltar que existem problemas de casais que estão unidos a mais de 20 anos, com filhos, e o casamento no papel não sai, pois um dos cônjuges geralmente está preso a papéis de antigas separações, do tempo em que casaram antes de se tornarem cristãos. 

Principalmente se vieram de cidades do interior, onde nada ainda é informatizado. Daí algumas igrejas não permitem o batismo nas águas, pois o casal, em tal situação, não é considerado casado.

Pois bem, se a igreja acha certo que só pode ser batizado quem estiver com os papéis em dia, então algumas pessoas que saem do Brasil, e querem obter mais rapidamente dupla cidadania, (chegando lá muitos casam-se com uma pessoa arranjada na hora, também com o mesmo objetivo), e assim casam-se. Como é o caso, por exemplo, para se obter mais rapidamente o "greencard" nos EUA. Neste caso, a igreja batiza o indivíduo? Ou não?? Afinal, nos papéis ele está casado "direitinho", como a igreja exige! 

Mas aí a explicação para o "não batismo" do indivíduo que casou falsamente nos EUA, é não somente pela mentira, para se obter a permissão de morar no país, como também é dito que no coração ele não casou de verdade. Correto. Concordo com esta posição. Mas e o casal que tens filhos, estão unidos a décadas, e não conseguiram tirar a certidão de casamento? Não casaram no coração?! Em uma situação o coração é importante, e em outra, não?

E o batismo nas águas ocorrido em presídios? O presidiário não está ainda no papel como criminoso e cumprindo pena? Ou seja, ele ainda não tem uma certidão de isento da condenação que lhe foi imputada. Seguindo a mesma linha de pensamento da razão de não se poder batizar alguém que ainda não é casado no papel, com a devida certidão, o preso também está em posição errônea diante da sociedade, assim como quem vive junto e não casou oficialmente!

Porque o presidiário pode se batizar e um casal que ainda não tirou o registro não pode??? Não que eu seja contra o batismo dos presos que se convertem. Muito pelo contrário, acho um trabalho lindo! Os presos tem mesmo que ser evangelizados e batizados. Não sou contra! Faço aqui apenas uma comparação, já que o PAPEL é a razão de alguns líderes não batizarem pais de família que ainda não regularizaram a papelada burocrática perante a sociedade. Diante deste fato, percebe-se que nada tira o direito de batismo nas águas para aqueles que ainda não se encontram casados "no papel".

Acredito que a pergunta a seguir trará a resposta a toda esta polêmica: Quais são os requisitos bíblicos para se aprovar o batismo nas águas? No início dos evangelhos, João Batista surge pregando e batizando no deserto. Quais eram as burocracias de João Batista para batizar aquelas pessoas nas águas, logo ali, no meio do deserto?! Papéis? Documentos? Certidões? A questão, amado e querido leitor, era o "arrependimento"!!! 

Não há como exigir, mesmo daqueles que estão com todos os documentos em dia, uma certidão de arrependimento. O coração não imprime papel. Ou seja, mesmo que a igreja contemporânea tente ficar imaculada, exigindo documentos como requisitos para batismo e outras liturgias eclesiásticas, sempre ficará na dúvida se uma pessoa realmente poderia ou não ter sido aprovada. E as decepções, como nós cristãos maduros sabemos, são muitas! 

Não é um pedaço de papel que redime do pecado! Mas o Sangue de Jesus Cristo, derramado lá na cruz do calvário. Este sim, nos redime de todo o pecado! E nisto podemos ter a plena certeza!!!

"Ai dos que decretam leis injustas"(Isaías 10:1)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.


Fique a vontade para colocar o artigo em seu 
site, blog, desde que citado o autor e a fonte.

É PECADO CELEBRAR O NATAL?


Chegamos ao fim do ano e novamente a polêmica surge no meio do povo de Deus: Afinal podemos ou não comemorar o Natal com a família, com troca de presentes, guloseimas, etc?! Artigos e estudos religiosos aparecem apresentando suas razões para rejeitar esta festa que ocorre em 25 de Dezembro, que tem a tradição de dizer que nesta referida data ocorreu o nascimento do Senhor Jesus Cristo. Realmente ninguém sabe ao certo a data. Se fizermos uma pesquisa veremos que as enciclopédias nos informam que a data do nascimento de Jesus Cristo ainda não foi satisfatoriamente reconhecida. Agora, diante deste fato, estamos proibidos de comemorar o natal? Será um pecado celebrar o Natal pelo fato de não termos a data correta?! 
 
As pessoas que vieram das cidades do interior fizeram seus registros de nascimento em datas bem posteriores ao seu nascimento, devido a ausência de cartórios em suas cidades, ou pela condição precária de locomoção, etc. Porém isso não impede que hoje comemorem seus aniversários, mesmo conscientes que aquela não é a data certa. Ora, estariam impedidos de realizar uma festa pelo simples fato de não terem a data certa do nascimento? Talvez você diga: "-Ah, pastor, mas com relação a Jesus é diferente..."  Porque?? O intuito do seu coração não é o de honrar ao Senhor pelo seu nascimento ocorrido a mais de dois mil anos?! Ou mesmo que tivéssemos a data certa, qual seria o seu propósito?!
 
Outros preferem atribuir a festa de natal a uma comemoração pagã, relacionando árvore de natal e papai noel a entidades demoníacas e objetos de magia negra, etc. As festas de aniversário também tem origem pagã. Como todos sabemos, os dois únicos aniversários que a Bíblia menciona são de pagãos, o Faraó do Egito (Gênesis. 40:20) e o Rei Herodes (Mateus 14:6). Deveríamos então por isso rejeitar também as festas de aniversário?!
 
Vejamos a origem da festa de aniversário:
 
"Os vários costumes de celebração de aniversários natalícios das pessoas hoje em dia tem uma longa história. Suas origens acham-se no domínio da mágica e da religião. Os costumes de dar parabéns, dar presentes e de celebração - com o requinte de velas acesas - nos tempos antigos eram para proteger o aniversariante de demônios e garantir segurança no ano vindouro..." (Schwäbische Zeitung , suplemento Zeit und Welt, de 3 de abril de 1981, p. 4)
 
"O costume de acender velas nos bolos começou com os gregos...Bolos de mel redondos como a lua e iluminados com velas eram colocados nos altares de templo de Ártemis...As velas de aniversário, na crença popular, são dotados de magia especial para atender pedidos...Velas acesas e fogos sacrificiais tem um significado místico especial desde que o homem começou a erigir altares para seus deuses...Originalmente, a idéia enraizava-se na magia..."  (The Lore of Birthdays, de Ralph e Adelin Linton, p. 8, 18, 20)
 
Agora me responda: Quem hoje em dia, principalmente um cristão,  faz festa de aniversário neste propósito?! Ora, se os argumentos para rejeitar a festa de natal é devido a sua origem pagã, então a festa de aniversário deveria ser do mesmo modo rejeitado, pois como vimos, aniversários também tem sua origem no paganismo. Jacó e José eram servos de Deus, mas quando Jacó faleceu José mandou embalsamá-lo (segundo costume dos egípcios pagãos), e mais tarde o próprio José foi embalsamado. (Gênesis 50:2,3,26).
 
Dizer aos filhos que Papai Noel existe é pecado?
 
Como escrevi sobre a páscoa em outro artigo, torno a repetir: Na escola as crianças ouvem diversos contos, que desenvolvem o raciocínio. Cinderela, chapeuzinho vermelho, os três porquinhos, rapunzel, a bela adormecida, a cigarra e a formiga, branca de neve, etc... Iremos tirar nossos filhos da escola por isso? As crianças acreditam nestes contos, e quando vão crescendo, claro, amadurecem, como acontece com a credibilidade no "papai noel". Quando uma criança pergunta aos pais de onde vem os bebês, será que a mãe deveria rasgar a verdade e dizer: "-Olha, eu e seu pai vamos para a cama, e temos uma relação sexual maravilhosa, desse jeito, e desse jeito também, e fazemos assim também, e aí veio a gravidez, e você nasceu..." Ou será que nós respondemos com alguma "mentira", que ela veio num "avião" ou "cegonha", ou de outro jeito, que evite a todo custo usar a palavra sexo para as crianças???
 
Não vejo nenhum mal em crianças acreditando num conto de natal, ou de outros contos tão bonitos. Isso não pode ser encarado como um ato "anticristão". Senão, todos os pais cristãos deveriam tirar seus filhos da escola, tirar a TV de casa, isolar do mundo, e lhes contar toda a vida como ela é, nua e crua, sem desviar o assunto. Estaria correto estragar toda uma infância?!
 
Assim como os aniversários, a festa de natal para nós tem outro sentido, outro significado. Se você vai comemorar o natal ou não, é uma decisão sua. Só quero deixar bem claro que não há nenhum respaldo bíblico para se proibir alguém das festas de fim de ano.
 
"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, está em Cristo". (Colossenses 2.16-17)
 
Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.



Mente vazia é oficina do pastor.

Antes de criticar, de escrever a sua opinião, por favor leia o artigo até o final. E quando opinar, não escreva ataques pessoais, mas refute dentro do assunto. Mesmo que você não concorde comigo, eu não censuro os comentários, como você pode conferir nos outros artigos. Escrevo isso logo de início porque algumas pessoas, que tenho certeza que não leram todo o artigo, escrevem coisas absurdas, como: "O sr é contra os pastores?", "O sr prega a desobediência?", e outras afirmações ridículas, que só aumentam a minha certeza de que, quando realmente nos aprofundamos na Palavra de Deus, nos libertamos do religiosismo hipócrita que muitas pessoas vivem. 

Não nos tornamos rebeldes e nem insubmissos, mas obedientes ao pastor sob a luz das Sagradas Escrituras. Porque até a sua obediência tem que estar respaldada na Palavra de Deus. Os cristãos de Beréia, em Atos 17:11, são um exemplo deste comportamento vigilante. Antes de dizerem "amém" a tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e depois concordavam. E a bíblia nos diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica! Isso mesmo! Porque receberam a palavra, diferente dos que eram de Tessalônica. Veja:

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim". (Atos 17:11)

Imagine se eu fosse "contra os pastores", como alguns pensam. Ora, eu também sou pastor! Como eu pregaria algo contra mim?! Por isso, quem escreve um absurdo deste, não leu, ou nunca foi atencioso com os textos que escrevo. Evito inclusive usar palavras difíceis, para democratizar a compreensão, sejam os leitores irmãos de formação superior, ou os que apenas aprenderam a ler e escrever. Por isso o meu site tem um número imenso de visitas, e, óbvio, torna-se um incômodo para os que controlam a membresia da igreja sob pretexto de "santidade" e "submissão pastoral". 

O título do artigo chama a atenção, pois popularmente se diz que "mente vazia é oficina do diabo". Não tenho o propósito de comparar a figura do pastor com o diabo. Por mais que um líder tenha defeitos, o pastor verdadeiro, que tem compromisso com Deus, sofre muita perseguição. Quem tem experiência sabe do que estou falando. Não escrevo isso com intuito de não parecer tão crítico no texto. Tenho muitos amigos pastores que concordam com o que escrevo. 

Agora pergunto ao amado leitor: Será somente o diabo que faz da mente humana uma "oficina" quando esta se encontra "vazia"? Porque se eu atribuo ao diabo toda sorte de males, então no dia do Juízo Final será somente o inimigo de nossas almas que prestará contas?! Ninguém fez nada? Ninguém tem culpa?? 

O profeta Jeremias não inocenta os que dispersam as ovelhas do Senhor. "Ai dos pastores que dispersam as minhas ovelhas". (Jeremias 23:1) Em outro artigo deixei claro que a obediência cega é fruto de manipulações humanas, com pouco ensino bíblico, característico na maioria das seitas diabólicas. O líder é visto como um ser muito superior, um escolhido especial, e o que ele falar é "Deus falando", independente de estar ou não de acordo com as Escrituras Sagradas.

“Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:8)

No versículo acima citado, o apóstolo Paulo, em sua carta aos gálatas, adverte que, ainda que ELE MESMO, ou até um anjo do céu, viesse para pregar um "outro evangelho", que seja anátema - expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. O sujeito pregou, seja quem for (lembre-se: até um anjo do céu) e está fora das Escrituras, você já não lhe deve nenhuma obediência! O que acontece em alguns círculos religiosos é que o líder pula, sapateia, fala línguas estranhas, faz muito barulho, e o povo logo acha que este homem é "Deus puro" falando, que ele está acima de qualquer suspeita. 

O que todo cristão deveria entender é que, mesmo que um pastor, pregador ou profeta, entregue mil revelações, e todas elas se cumpram; mesmo que ele ore e vários mortos ressuscitem na mesma hora, ainda assim ele não deixará de ser um homem, falho, com defeitos, errante, capaz de cometer pecados gravíssimos, como qualquer outro ser humano. Mas essa associação é difícil, principalmente quando o líder é do estilo "fogo puro". E pregar isso que eu escrevo é praticamente um pecado para muitos, sob pena de "Deus pesar a mão" por estar cometendo o gravíssimo pecado de "tocar o ungido de Deus", no caso, o pastor. 

Quando eu ainda era apenas membro, ficava repreendendo os maus pensamentos, quando me vinham questionamentos sobre algumas burocracias da igreja. Chegava a suspeitar que o demônio controlava a minha mente com perguntas que eu não deveria fazer! Uma pena, mas é exatamente assim que milhares e milhares de cristãos pensam, quando suspeitam do líder estar em desacordo com a Palavra de Deus.

Existem crentes rebeldes e desobedientes? Com certeza que existem! Não querem compromisso com o Reino de Deus, e percebemos isso em pessoas complicadas, que não param em lugar nenhum. Ficam 3 meses em uma igreja, e logo acham "problemas", e o pastor já não presta. Muito diferente de um cristão fiel, que questiona algum posicionamento da liderança. Todo pastor que se preza sabe que ele nunca conseguirá 100% de unanimidade com todos os membros da congregação. Sempre há aqueles que discordam de alguma coisa. 

A própria Escritura nos relata um desacordo entre Paulo e Barnabé, relatado nas palavras bíblicas, uma "não pequena discussão" entre os dois. (Atos 15) Foi um para cada lado, mas nem por isso um deles deixou de ser homem de Deus! Perguntar, desejar um esclarecimento, discordar, não é e nunca foi pecado, desde que este não seja acompanhado de um sentimento de inveja, ódio e desejo de arrumar confusão. Ser um cristão obediente não é sinônimo de suicídio mental. O senso crítico sempre existirá, mesmo quando estamos cultuando, na presença de Deus, consagrando, jejuando, etc.

O raciocínio crítico só é intimidado em virtude das ameaças de púlpito, como, por exemplo, o pastor soltar, no meio de suas exortações, um alto e sonoro "E ai de quem se levantar contra esta obra!" Resumindo, em poucas palavras, ele quis dizer "ai de quem se levantar contra as decisões dele". Ora, quem, sendo cristão, vai se "levantar contra a obra de Deus"?? Quando alguém questiona a liderança eclesiástica, ela se dirige a postura e decisões humanas referentes à igreja no sentido da denominação religiosa, e não no sentido espiritual. 

O membro que discorda das decisões do pastor, nunca sofre castigo divino, mas sim, retaliações da liderança, sendo boicotado das oportunidades no microfone e outras atividades na igreja. Esta e outras formas de constranger as pessoas quase sempre são pregadas porque ele, o pastor, sabe que no íntimo qualquer ser humano em sã consciência se pergunta se não há algo de errado na administração do templo. Como ele tem um grande receio de que a dúvida de um desperte outros, e aglomere mais irmãos que questionem seus posicionamentos, ele rapidamente saca do bolso e solta estas pérolas de sua retórica manipuladora. 

O que surpreende é que muitos pastores não vivem esta pseudo-ingenuidade que eles tanto cobram dos membros. Todos as suas decisões, gastos e investimentos são calculados, bem longe das reuniões de orações. Locação ou compra de um imóvel, compra de veículo, etc, ele o faz desconfiando da própria sombra. Se você tentar, por exemplo, vender um carro ou um terreno a um pastor deste, o interrogatório que ele faz é tanto, que você desiste de fazer negócio. Ou seja, ele não tem nenhuma credibilidade no que você diz. De contrapartida, ele apregoa na igreja que você pode e deve confiar no pastor. Acredito até que devemos ter mesmo muito cuidado na hora de fazer negócios. Mas este tipo de líder não aceita que você duvide dele a metade do que ele suspeita de você. Ele é ele, e você é você!
Jim Jones: Teocracia humana
e suicídio coletivo.
Vou citar um exemplo, um fato extremo e de raro acontecimento no meio cristão, o caso do pastor Jim Jones. Em Jonestown, no ano de 1978, Jim Jones levou 900 pessoas que o seguiam a tomarem veneno, dizendo ser esta uma "ordem de Deus". E, infelizmente, todos eles obedeceram. Menos o pastor, claro, que logo depois foi morto. Todos os seus seguidores acreditaram que, cometendo aquele bárbaro suicídio coletivo, estariam fazendo a "vontade de Deus". Se você pensa que nunca iria obedecer a uma ordem como esta, é porque não conhece a forma como as pessoas são conduzidas a este tipo de atitude. Não foi de um dia para outro que ele ordenou o suicídio a estas quase mil pessoas. Imagine que no meio de tantos adeptos não haviam aqueles que duvidavam das ideias malucas do pastor Jim Jones. Com certeza que haviam! E muitas pessoas iniciam na religião duvidando de muita coisa. Mas com o tempo, a falácia nas reuniões, somadas as ameaças de castigo divino aos "incrédulos", aprisionam a mente humana de uma forma impressionante. Deixo claro ao amado leitor, que este exemplo é um dos raros casos de extremo fanatismo. Suicídios, anúncios de datas de fim de mundo, quando surgem no meio de uma denominação evangélica, esta já está muito distante dos ensinos da Palavra de Deus. Resolvi relatar este fato, não com o objetivo de denegrir a figura pastoral, mas de podermos refletir sobre como muitas outras coisas, mesmo que não tão graves como este, podem ser ensinadas e ordenadas erroneamente no seio da igreja. 

O fanatismo, a crença cega na teocracia humana, alcança um nível que, se você questionar, ou apenas duvidar do líder, e um dos adeptos for seu amigo, este se transformará em seu pior inimigo! A mente está dominada de uma forma quase irreversível. Tentar fazer uma pessoa assim a pensar de forma imparcial e crítica sobre a sua crença, igreja ou líder, é complicadíssimo, e gera uma discussão quase sem fim. 

A maioria destas pessoas receberam alguma bênção durante o culto (que veio de Deus, e não do homem) e o pastor, automaticamente, torna-se um ídolo. Este tipo de crente até prega que a 'glória' deve ser somente para Deus, mas defende o pastor a unhas e dentes. Daí a razão de dificilmente ele desconfiar do querido líder que lhe impôs as mãos, e ele foi curado, liberto, etc. Mesmo que chegue aos seus ouvidos que o pastor cometeu algum erro, para ele isso não passará de um pequeno deslize, sem nenhuma gravidade. 

Até o dia em que este deslize se confrontar com ele, ou uma "bomba" estourar, revelando adultérios e outros pecados ocultos do líder. Quando este membro, que tinha o pastor como o "santo homem de Deus", se decepciona, cai numa profunda depressão, apostata da fé, e dificilmente irá para alguma outra igreja. Torna-se um ateu sem assumir publicamente. A sua fé estava mais no homem do que em Deus.

Quando falo de "mente vazia", não me refiro a estar de férias, descansar um fim de semana, viajar, sem estar no ofício de seu trabalho. Há um enorme equívoco na interpretação desta ociosidade da mente humana. Me refiro ao crente que não gosta de meditar na Palavra de Deus, lê muito pouco a bíblia, que vive de 'caixinha de promessa', como se a Escritura fosse um mero sorteio de mensagens bíblicas. Seus pensamentos sobre o que é ser cristão variam entre achismos e pregações aleatórias que ele ouve aqui e ali. 

 Afirma que não gosta de teologia, mas a sua mente é impregnada de raciocínios humanos sobre o que é santificação, igreja, pecado, o que dá no mesmo, só que pior: andando na contramão das Sagradas Escrituras. Em alguns casos nem o pastor tem culpa do que determinados tipos de membros colocam na cabeça. Alguns criam uma fantasia espiritual, que ele tem um segredo ultra-secreto com Deus, que ninguém está capacitado a entender o "mistério" que Deus tem na vida dele. Nem o pastor! É tão "profundo" que nem ele entende. E nunca vai entender! 

Este é o típico desobediente, pois o pastor solicita que ele não falte a Escola Bíblica Dominical, ou reunião de estudo, e este crente quase nunca aparece. Equivocado e imaturo, sempre afirma que "a obra que Deus tem na vida dele é diferente", e conclui que não precisa aprender igual aos outros. Quase sempre faz isso espelhando-se em outros "meninos da fé", que se sentem estrelas pentecostais em vigílias e reuniões "de fogo", onde os glórias e aleluias funcionam como aplausos as frases de efeito, versículos isolados, jargões pentecostais, e outros devaneios explanados aos gritos no microfone.

Uma das coisas que me deixa indignado são pregações patéticas que tem, em seu conteúdo, terceiras intenções, no que diz respeito a "segurar" pessoas na igreja. Quando um determinado tipo de pastor percebe que não está sendo "obedecido" por um certo número de membros, sermões flamejantes (com uma suposta "revelação" adequada ao problema) são disparados do púlpito, do tipo: "A árvore vai balançar e os frutos podres vão cair...fiquem ligados, irmãos..."  Traduzindo: quem saiu, inconformado com as diretrizes do pastor, é porque era fruto podre, não prestava. Mas quem ficou, passivo aos caprichos do 'coronel', mesmo que discordando as escondidas, é fruto bom, porque permaneceu na igreja. Um sermão muito conveniente para quem gosta de controlar o povão. 

Me impressiona como alguns pastores chegam a dizer, em conversas particulares, que o povo precisa ser tratado com "dureza", ou do contrário não se submetem as ordens pastorais. Discordo completamente, como ainda tenho comigo o conselho do salmista, quando diz: "Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão". (Salmos 32:9) 

Muito ao contrário dos valores de alguns líderes contemporâneos, a Bíblia Sagrada nos ensina uma independência e liberdade em Cristo, para fazermos a obra de Deus sem estarmos debaixo do jugo do homem. Isso nos é claramente mostrado quando Jesus não se agregou a mercenários, denunciando os vendilhões do templo, cujo os únicos motivos de estarem ali era pelo dinheiro. Quando desmascarou os escribas fariseus hipócritas, que pensavam servir a Deus com suas vestes talares, e Jesus os chamou de sepulcros caiados. Se somos convidados pelo apóstolo Paulo a sermos "imitadores" de Cristo (1º Coríntios 11:1), então a nossa indignação contra aquilo que está errado não pode ser comparada ao pecado de rebeldia ou desobediência. Se pregamos contra o pecado para aqueles que são do mundo e não conhecem a verdade, muito mais para aqueles que a conhecem, não?!

Numa ocasião, quando eu ainda era missionário, fui convidado a pregar em uma igreja. Lá eu via muitas pessoas chegando, e o pastor observava a cada uma, sentado do púlpito. Num dado momento, chegou um visitante e estacionou o carro do outro lado da rua. Ele desceu do púlpito e foi correndo abraça-lo. Pensei se tratar de alguém que ele esperava, um parente. Mas não. Sequer o conhecia! Quando voltou, percebendo que fiquei olhando, ele falou ao pé do meu ouvido: "-Visitantes assim a gente tem que recepcionar bem...para voltarem sempre!" Mas e os outros? - pensei comigo. Aqueles inúmeros irmãos, que chegam a pé, não tem tanto valor quanto o irmão que chega balançando a chave do carro?! 

Nesta igreja onde fui, qualquer irmão de maior poder aquisitivo rapidamente era consagrado ao diaconato e presbitério, quando outros, mais humildes, esperavam a anos um dia poder ser do ministério. Ao encerrar o culto, este pastor, na maior cara-de-pau, me convida a sair do meu ministério, e mudar para o dele. Respondi que até então eu me sentia muito bem onde eu estava. Querendo admitir ou não, a grande maioria dos evangélicos sabe que esta é uma realidade em várias igrejas.

Infelizmente vivemos numa época em que muitas igrejas precisam ser evangelizadas! Vê-se muito corporativismo religioso, porém pouco amor ao próximo. Pessoas são valorizadas, não por aquilo que elas são, mas por aquilo que elas tem. Onde está o amor ágape, que está acima de todas estas coisas?! Qual o sentido de ser cristão, "diferente do mundo", se as nossas atitudes não nos identificar como noiva de Cristo?! 

Se agimos, em termos de valores sociais, igual ao mundo, qual a diferença da igreja com aqueles que não servem a Deus?! Se confessamos a Cristo como nosso Salvador, se anunciamos o evangelho da salvação que transforma o ser humano em uma "nova criatura", se nos vestimos como crentes, se falamos e usamos vocabulário de crente, onde está a identidade de Servo e imitador do Mestre, quando destratamos um irmão por ele não ter um carro do ano, não morar na zona sul, e não dar um dízimo alto?! 

Será que este comportamento irá passar desapercebido aos olhos do Senhor pelo fato de estarmos dentro da igreja todos os dias, presente em todos os cultos?? A Palavra de Deus, a Espada do Espírito, nos dá excelentes respostas!



"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade". (Mateus 7:22)

"Porque, se entrar na vossa reunião algum homem com anel de ouro no dedo e com traje esplêndido, e entrar também algum pobre com traje sórdido, e atentardes para o que vem com traje esplêndido e lhe disserdes: Senta-te aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Fica em pé, ou senta-te abaixo do escabelo dos meus pés, não fazeis, porventura, distinção entre vós mesmos e não vos tornais juízes movidos de maus pensamentos? Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores". 
(Tiago 2:2-4,9)


"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade. Nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho".
(1º Pedro 5:2,3)


Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.


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